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Mostrando postagens de setembro, 2026

Devaneios: Café da Tarde

Bom, aqui estamos. Fim da Oficina Liber Quest. Foi uma experiência incrível, e para mim, que tenho a pretensão de um dia conseguir construir boas histórias, aproveitei cada minuto. Foram oito exercícios no total, todos compartilhados aqui com vocês, e que tenho muito orgulho de seu resultado final. Alguns exercícios me permitiram acessar emoções que antes eu mantinha muito bem guardadas. Outros me permitiram enxergar um amor por histórias melancólicas, tão grande quanto a fantasia, que tanto leio. Ainda é o meu porto seguro, claro, mas acessar tais portas foi um tanto inesperado. De qualquer forma, agora o fluxo de contos nessa seção Devaneios aqui deve dar uma queda vertiginosa. Acredito que a programação normal do blog, com resenhas de livros, jogos e quadrinhos retorna com mais ímpeto. Obrigado a todos que me acompanharam nessa jornada, e, sempre que tiver novas histórias para contar, eu venho até aqui para compartilhá-las com vocês. Fiquem, então, com o último exercício. *** Café d...

Devaneios: A Cólera

 Enfim, penúltimo exercício da Oficina Liber Quest. Confesso que estou um pouco triste de pensar que está chegando ao fim, e que falta apenas um exercício. Mas, tudo que é bom dura pouco. O exercício da vez, deveríamos levar nossos personagens à um extremo. Até onde ele poderia chegar para realizar aquilo que acredita ser o certo. Bem, novamente me embrenhei pela fantasia, e o resultado foi esse. *** A Cólera Crédito: Benjamin Farren O manto vermelho carmesim de Yalden tremulava ao açoitar do vento. Seus olhos ardiam, não apenas pela secura do ar, mas também pela privação de sono que ele enfrentava há semanas. Agora, ele e Kyr estavam a poucos quilômetros da Cidade Murada de Sanur, no topo de uma serra, de onde podiam ver a estrada que levava a um dos portões de entrada. A cidade era gigantesca, a terceira maior do Reino, e seus muros estendiam-se em uma imensa circunferência. – Então é aqui que ele se escondeu – disse Yalden, semicerrando os olhos para tentar ver os limites d...

Devaneios: A Sombra da Maldição

No sexto exercício da Oficina Liber Quest, deveríamos criar uma situação onde duas vozes entrariam em conflito para que o personagem então tomasse uma decisão entre elas. Com a intenção de trabalhar conflitos internos, decisões e contradições. Com o meu apego à fantasia, que é meu gênero literário favorito, aqui eu comecei a direcionar minhas histórias para esse caminho. Espero que gostem do resultado final. *** A Sombra da Maldição   Ryckard pousou as mãos sobre as gigantescas portas de ferro fundido, cobertas de ferrugem. Os intrincados desenhos de rosas e espinhos, símbolo do Reino Eterno de Gallad, tocaram seus dedos. Ele empurrou com todas as forças que ainda lhe restavam, e o metal respondeu com uma recusa por alguns instantes, até ceder em um rangido metálico ensurdecedor. Um cheiro doce de rosas mesclava-se a um odor pútrido de carne em decomposição e atingiu o rosto de Ryckard como uma bofetada. O salão era iluminado por tochas presas aos pilares centrais. A luz permitiu q...

Devaneios: Santos, Sempre Santos!

Passou-se metade da oficina, e caminhamos para a etapa final. O texto de hoje é referente ao exercício cinco, em que deveríamos explicar uma ausência, falta, saudade, etc, mas sem dizer diretamente em palavras. Trabalhar a construção de emoções e memórias por meio de detalhes, e no bom e velho limite de 400 palavras. Tornei esse exercício mais pessoal, e, provavelmente, é o meu favorito até agora. *** Santos, Sempre Santos! Era noite de quarta-feira, e ele já estava com sua camisa branca do Santos, com aquele gigantesco patrocínio vermelho nas mangas. Não era original, nem mesmo daquelas réplicas de boa qualidade. Era uma comprada em um camelô da cidade, com o escudo já desfiando nas linhas e se soltando do tecido. Era velha, surrada, com diversos pontos desbotando, mas também era sua favorita, pois havia sido um presente. Aquela que dava sorte. Não era um jogo importante, era mais um desses de meio de tabela, mas ele já sabia que seria mais um daqueles para passar raiva. Tentara diver...

Devaneios: O Fim do Mundo

Chegamos ao quarto exercício da Oficina Liber Quest! Nesse, o objetivo era tecer um miniconto do ponto de vista de um astronauta olhando para o nosso planeta Terra, mas do lado de fora, para trabalhar a imaginação, construção de emoções com aquele famoso "show, don't tell" que gostamos tanto. Mostrar com sentimentos, sensações, mas sem dar os nomes, fazendo o leitor sentir junto do personagem a situação. Novamente, nosso limite eram 400 palavras. Eu quis fazer ele um pouquinho fora do convencional, me lembrei de um episódio muito bacana de Dr. Who, e o resultado foi esse: *** O Fim do Mundo O computador podia fazer aquele trabalho sozinho, sem a necessidade de um operador, mas Victor havia pedido para estar ali. Todos os dados eram coletados, checados e organizados pela inteligência artificial. Mesmo assim, ele havia solicitado sua permanência na estação. Queria acompanhar de perto os últimos segundos de sua terra natal. Observava pela imensa janela à sua frente aquele ve...

Devaneios: A Chama do Coração

 O terceiro exercício da Oficina Liber Quest até agora foi o mais complicado. Sei que disse no anterior sobre como havia sido desafiador, mas esse de agora me cobrou muito. Era uma situação completamente fora de qualquer expectativa que eu pudesse ter, um diálogo entre um autor, e uma outra pessoa. E já confesso que de todos que desenvolvi até agora, foi o que menos gostei. Mas, quero trazer todos aqui, não só os que tenha gostado. Então, deixo vocês com o resultado, e encontro vocês no próximo! *** A Chama do Coração O som de diversas vozes despreocupadas em diálogos frívolos se somava aos sons produzidos na cozinha e criava um ambiente aconchegante que acalmava o coração de Ulisses e o ajudava a se concentrar. Ele sempre odiou o silêncio, e aquele era o ambiente perfeito para suas criações. Sempre que a editora encomendava um novo volume, procurava pela cidade um café como aquele, onde se sentava e trabalhava, as letras esvaindo-se por seus dedos e tomando forma em seu notebook. ...

Devaneios: Pedido de Socorro

Chegou o momento do segundo exercício, e esse foi um pouco mais desafiador. A história deveria de passar em um floresta escondida, e construir um mistério, com pistas sendo reveladas aos poucos. O limite era de 400 palavras. Confesso que esse tem sido meu maior inimigo, a barreira do número de palavras. Talvez isso signifique que sou prolixo? De qualquer forma, deixo vocês com o resultado. *** Pedido de Socorro Richard estava havia dez dias fora de casa. Eram tempos ruins. A caça na floresta ao redor da aldeia era infrutífera. Precisou ampliar seu raio de alcance, adentrando terrenos pouco explorados por aqueles que ali viviam. Hurlan era uma vila próspera, mas tradicional em seus costumes. Havia quem dissesse que não se devia perturbar os deuses da mata fechada. Porém, precisavam comer, e encontrar carne para alimentar o povo era o trabalho dele. Montou diversas armadilhas pelo caminho, entrando cada vez mais na mata, mas sem sucesso. Era manhã quando decidiu adentrar um pouco mais, t...

Devaneios: Sob o Carvalho

Oficialmente foi dado início à Oficina Liber Quest, de escrita criativa. E ao longo dessas duas semanas, serão oito exercícios que resultarão em textos diferentes. Provavelmente, trarei aqui todos eles, para compartilhar com vocês.  O primeiro desafio era, escrever sobre um piquenique. Deveríamos explorar o que quiséssemos, da forma que desejassemos, mas atentando à utilizar pelo menos três dos cinco sentidos na história, além de limitarmos o texto à 350 palavras. Deixo vocês aqui com o resultado. Ele acabou se tornando um dos meus xodós. Espero que gostem. *** Sob o carvalho A brisa silenciosa do outono tocava-lhe o rosto enquanto Benedito estendia a toalha quadriculada sob a sombra do carvalho, como fizera nos últimos quarenta anos. Colocou a cesta de vime, com sanduíches naturais, biscoitos, frutas e um bolo, no centro da toalha. Sentou-se e começou a organizar tudo na mesma ordem de sempre. Os dois pratos e duas xícaras de porcelana azul, que Antônia tanto amava e que sempre lh...