Oficialmente foi dado início à Oficina Liber Quest, de escrita criativa. E ao longo dessas duas semanas, serão oito exercícios que resultarão em textos diferentes. Provavelmente, trarei aqui todos eles, para compartilhar com vocês.
O primeiro desafio era, escrever sobre um piquenique. Deveríamos explorar o que quiséssemos, da forma que desejassemos, mas atentando à utilizar pelo menos três dos cinco sentidos na história, além de limitarmos o texto à 350 palavras. Deixo vocês aqui com o resultado. Ele acabou se tornando um dos meus xodós. Espero que gostem.
***
Sob o carvalho
A brisa silenciosa do outono tocava-lhe o rosto enquanto Benedito estendia a toalha quadriculada sob a sombra do carvalho, como fizera nos últimos quarenta anos. Colocou a cesta de vime, com sanduíches naturais, biscoitos, frutas e um bolo, no centro da toalha. Sentou-se e começou a organizar tudo na mesma ordem de sempre. Os dois pratos e duas xícaras de porcelana azul, que Antônia tanto amava e que sempre lhe dizia para ter cuidado, para não os quebrar, foram colocados cuidadosamente um ao lado do outro. Despejou um café bem preto, que exalou aquele cheiro forte e aconchegante. Em cada prato, colocou uma banana, uma maçã e três biscoitos. Cortou duas generosas fatias do bolo de fubá, colocando a maior no seu prato. Por um segundo, pôde ouvir Antônia reclamando ao seu lado da desigualdade dos tamanhos. Ela amava aquele bolo como nenhum outro.
Com tudo organizado metodicamente da forma como ela sempre fizera, Benedito endireitou as costas e ficou observando o parque ao redor. Avistou alguns casais em seus piqueniques e outras famílias passeando com seus cães. Algumas folhas do carvalho se desprendiam e caíam ao seu redor. Ele pegou a xícara de café e sorveu um gole do líquido quente, sentindo o amargo adocicado preencher-lhe a boca. Soltou um suspiro.
— Você me faz tanta falta, minha velha…
Pegou o pedaço de bolo e deu-lhe uma mordida. O gosto não era o mesmo. Parecia insosso. Ao fundo, era possível escutar a risada de algumas crianças que corriam em alguma brincadeira. Benedito comeu os biscoitos, mas as frutas levaria de volta para casa. Antônia sempre cobrava que ele comesse mais frutas, mas ele dizia que preferia comê-las à noite.
Fechou os olhos e respirou fundo. Havia três anos que não podia sentir o perfume que ela usava. Mas ali, de olhos fechados, era como se pudesse senti-lo novamente. O piquenique era sagrado, e nada impediria Antônia de estar ali. Benedito podia até não vê-la, mas podia senti-la. Antônia não ocupava mais lugar algum no mundo, mas, naquele pequeno pedaço de toalha sob o carvalho, nunca deixara de estar.
A brisa silenciosa do outono tocava-lhe o rosto enquanto Benedito estendia a toalha quadriculada sob a sombra do carvalho, como fizera nos últimos quarenta anos. Colocou a cesta de vime, com sanduíches naturais, biscoitos, frutas e um bolo, no centro da toalha. Sentou-se e começou a organizar tudo na mesma ordem de sempre. Os dois pratos e duas xícaras de porcelana azul, que Antônia tanto amava e que sempre lhe dizia para ter cuidado, para não os quebrar, foram colocados cuidadosamente um ao lado do outro. Despejou um café bem preto, que exalou aquele cheiro forte e aconchegante. Em cada prato, colocou uma banana, uma maçã e três biscoitos. Cortou duas generosas fatias do bolo de fubá, colocando a maior no seu prato. Por um segundo, pôde ouvir Antônia reclamando ao seu lado da desigualdade dos tamanhos. Ela amava aquele bolo como nenhum outro.
Com tudo organizado metodicamente da forma como ela sempre fizera, Benedito endireitou as costas e ficou observando o parque ao redor. Avistou alguns casais em seus piqueniques e outras famílias passeando com seus cães. Algumas folhas do carvalho se desprendiam e caíam ao seu redor. Ele pegou a xícara de café e sorveu um gole do líquido quente, sentindo o amargo adocicado preencher-lhe a boca. Soltou um suspiro.
— Você me faz tanta falta, minha velha…
Pegou o pedaço de bolo e deu-lhe uma mordida. O gosto não era o mesmo. Parecia insosso. Ao fundo, era possível escutar a risada de algumas crianças que corriam em alguma brincadeira. Benedito comeu os biscoitos, mas as frutas levaria de volta para casa. Antônia sempre cobrava que ele comesse mais frutas, mas ele dizia que preferia comê-las à noite.
Fechou os olhos e respirou fundo. Havia três anos que não podia sentir o perfume que ela usava. Mas ali, de olhos fechados, era como se pudesse senti-lo novamente. O piquenique era sagrado, e nada impediria Antônia de estar ali. Benedito podia até não vê-la, mas podia senti-la. Antônia não ocupava mais lugar algum no mundo, mas, naquele pequeno pedaço de toalha sob o carvalho, nunca deixara de estar.
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