O ano de 2025 com certeza foi um dos mais movimentados em questão de lançamentos de jogos que agradaram a grande maioria dos jogadores. E, na reta final do ano, um título que dividia opiniões antes mesmo de sair, cheio de polêmicas, turbulências e até um vazamento, finalmente chegou ao público: Pokémon Legends: ZA (ou, carinhosamente, pokemonza).
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| Capa aberta Pokémon Legends: ZA |
Esse texto vai ser mais do que uma simples resenha. Quando comecei a pensar em escrevê-lo, percebi que eu precisava fazer mais do que uma review do jogo — eu precisava falar sobre a minha experiência completa com a série Pokémon. E, pra mim, é impossível falar sobre videogames na minha vida sem falar de Pokémon.
Então, pra quem só quer saber minha opinião sobre Legends: ZA, eu dividi o texto em três partes.
Na primeira, “Como um jogo 2D acendeu uma chama que nunca apagou”, falo sobre o quanto a série é importante pra mim.
Na segunda, “A vez de Pokémon Legends: ZA”, começo a tratar do jogo em si.
E concluo na terceira, "Entre acertos e tropeços, a chama reacende", com minhas opiniões sinceras depois de uma longa jogatina.
Como um jogo 2D acendeu uma chama que nunca apagou
Eu nunca tive console em casa, meu contato com videogames era só na casa de amigos ou parentes. Nem em locadora eu ia.
Mas quando eu tinha uns dez anos, meus pais e eu nos mudamos pra uma casa onde o dono usava um computador como “host” pras câmeras do comércio dele. O PC precisava ficar sempre ligado, mas ele me deixou usar o quanto quisesse, desde que eu não o desligasse. Ainda não tínhamos internet, só o computador mesmo.
Foi então que um amigo meu (a culpa disso tudo é sua, Pig) me emprestou um CD com o famoso VisualBoy Advance e uma ROM de Pokémon Ruby.
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| Como esse inicio é marcante pra mim... |
Eu já era fascinado pelo anime desde que me entendo por gente. Sempre brigava com minha irmã porque queria assistir Pokémon na RedeTV, que passava no mesmo horário da Malhação ou da novela das seis na Globo. Eu sempre ganhava, por ser o mais novo, claro.
Quando esse amigo me emprestou o CD com o jogo, minha cabeça explodiu. Pokémon Ruby é, até hoje, o jogo da franquia em que mais gastei horas. Zerei de todas as formas possíveis: fiz speedrun, usei GameShark pra completar a Pokédex... tudo. Esse jogo me acompanhou por muito, muito tempo.
Depois de alguns meses, colocamos internet nesse computador, e aí foi o começo do fim: descobri todas as ROMs disponíveis na internet.
Nessa fase, quando percebi a quantidade de jogos que existia e que eu ainda não tinha jogado, óbvio que fui atrás de todos, até das versões “irmãs”. Joguei Red, Green, Blue e Yellow (Game Boy), Gold, Silver e Crystal (Game Boy Color), Sapphire, Emerald, FireRed e LeafGreen (GBA)... Eu era uma criança simples, não me importava em jogar o mesmo jogo de novo só pra, no final, capturar um lendário diferente. Achava isso mágico.
Nenhum me marcou tanto quanto Ruby, mas zerei vários mais de uma vez. Também joguei algumas hack ROMs, como Pokémon Black (nunca gostei de fakemons) e Shiny Gold, e amaldiçoo até hoje o Sudowoodo que bloqueava a passagem porque a hack nunca foi terminada.
Quando nos mudamos de novo e meus pais conseguiram comprar um PC melhor (um Positivo, “melhor” aqui é modo de dizer, mas já valia muito), entrei na era do DS com o saudoso No$GBA.
Ali conheci a geração IV: joguei Diamond e Pearl, e me apaixonei. Mas foi Pokémon Platinum que me arrebatou de vez — é meu favorito até hoje, provavelmente o jogo da série em que mais investi tempo depois de Ruby.
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| Giratina <3 |
A geração DS ainda trouxe HeartGold e SoulSilver, que joguei os dois, e depois Black/White 1 e 2. Foi ali que comecei a perder o fôlego pra jogar as duas versões. Talvez por já ter “alcançado” os lançamentos japoneses (cheguei a jogar Black 2 em japonês, com ROM modificada com alguns termos em inglês, até hoje me pego chamando o Tepig de Pokabu) ou talvez por cansaço de tantos anos jogando freneticamente.
Quando o 3DS chegou, bati numa barreira. O emulador demorou anos pra funcionar direito, e eu não tinha como ter o console. Da geração VI em diante, meu contato com Pokémon foi só pelos vídeos no YouTube e sites como o serebii.
Levaram anos até eu finalmente conseguir jogar Pokémon Y, Omega Ruby e Sun (esse último eu nunca terminei).
Em 2025, no início do ano, fiz algo inédito na minha vida: comprei meu primeiro console da Nintendo, o Switch. Pude, enfim, voltar à série que tanto amo.
Até agora, ainda não joguei Scarlet e Violet, mas terminei Pokémon Sword.
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| Todos os jogos da série principal e seus consoles |
Até aqui, falei só da série principal, porque os spin-offs nunca me atraíram tanto. Jogos como Pokémon Stadium, Ranger, Mystery Dungeon ou mesmo o TCG (esse do Game Boy Color eu joguei bastante, por sinal) sempre passaram meio batidos pra mim.
Mas no Switch tinha um spin-off que eu realmente queria experimentar: a série Legends, que começou com Pokémon Legends: Arceus. A proposta de um mundo aberto e várias inovações me animaram, parecia um novo fôlego pra franquia.
Mas eu detestei o jogo do início ao fim. Consegui ver várias ideias legais, mas o conjunto era extremamente monótono e chato. Não tive paciência pra continuar.
E por que eu senti necessidade de contar toda essa trajetória antes de falar do Pokémonza? Talvez seja puro saudosismo, ou uma tentativa de justificar por que continuo preso a essa série até hoje não sei.
Mas o que eu posso dizer é que Pokémon tem uma fórmula, e ela funciona muito bem desde o começo. Uma das maiores críticas à franquia é justamente a falta de inovação: “sempre o mesmo jogo com skin diferente”. Eu, sinceramente, gosto disso. Acho que faz parte do charme.
Eu sempre amei a liberdade que os jogos da série me davam pra explorar aquele mundo que eu via de forma tão vívida na tela do anime. A cada matinho que eu entrava, vinha aquela ansiedade sobre que tipo de Pokémon poderia aparecer, como eu faria pra capturá-lo e de que forma ele equilibraria meu time. Ou, às vezes, eu só queria porque ele era maneiro mesmo só pra compor o time. E, em muitas outras, era pura vontade de colecionar, porque já tinha me apegado demais aos que estavam comigo e não conseguia trocar até o fim.
Eu realmente criava um vínculo com cada um dos bichinhos que treinava. Via eles crescerem, evoluírem, ficarem fortes o bastante pra derrotar outros treinadores com um só golpe. Ia atrás das insígnias, ginásio por ginásio, querendo liberar logo o uso de um HM pra acessar alguma área travada ou simplesmente pra chegar até a Elite dos Quatro e fazê-los chorar diante da força dos meus companheiros.
Essa jornada, por mais repetitiva que fosse, era realmente mágica pra mim. Poder ver meus Pokémon salvando o mundo e capturar o lendário da vez que, claro, sempre ganhava um espacinho no time (desculpa, Linoone… mesmo sendo meu HM boy, eu te adorava. Mas o Groudon é o Groudon).
Não dá pra colocar em palavras o quanto essa franquia significa pra mim. O que eu encontro em Pokémon, poucos jogos conseguem me dar. É o meu jogo-conforto, aquele que eu sempre posso revisitar e já sei o que vou encontrar lá. É o tipo de “mesmice boa” que me faz gostar, pelo menos um pouco, de todos os jogos da franquia principal, mesmo quando a maioria torce o nariz pra eles.
E é importante ressaltar isso agora, porque eu ainda vou voltar a esse assunto quando for falar das minhas opiniões sobre o Pokémonza.
A vez de Pokémon Legends: ZA
Pokémon Legends: ZA, ou “pokémonza”, é o segundo jogo dessa nova série de spin-offs, iniciada com Legends: Arceus. Assim como seu predecessor, ele retrata um recorte histórico dentro da cronologia de Pokémon. Nesse jogo, acompanhamos o desenrolar da história da região de Kalos, mais precisamente na cidade de Lumiose, após os acontecimentos da série X/Y e todas as confusões armadas pelo Team Flare.
Após os eventos dos jogos principais, foi necessária uma intervenção para a reestruturação da cidade de Lumiose. Uma empresa chamada Quasartico se encarregou de restaurá-la, com o objetivo não apenas de reconstruir a cidade, mas também de criar um ambiente onde pessoas e pokémons selvagens pudessem viver em harmonia. Para isso, foram criadas zonas selvagens dentro da própria cidade.
Nosso protagonista chega a Lumiose de trem, e logo somos abordados pelo rival do jogo, que pede nossa ajuda para fazer uma propaganda do hotel onde está hospedada, já que o local anda com poucos hóspedes e ela quer dar um boom no movimento. Enquanto ajudamos a rival (que muda de acordo com o gênero do protagonista, como escolhi o personagem masculino, nossa rival é Taunie, e assim me referirei a ela daqui em diante), um Pancham aparece e rouba a bolsa do protagonista.
Nesse momento, recebemos nosso primeiro companheiro pokémon, que deve ser escolhido entre Tepig, Totodile e Chikorita, para recuperar a bolsa roubada. É aí que temos o primeiro contato com o novo sistema de batalha completamente diferente do da série original e muito, muito interessante. Trata-se de uma espécie de action battle, onde controlamos o protagonista diretamente enquanto o pokémon se movimenta pelo cenário junto dele, permitindo desviar de ataques inimigos em tempo real.
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| Os iniciais de Pokémon ZA |
Podemos selecionar os golpes pressionando L2 para dar lock no pokémon adversário e escolher os ataques desejados, que possuem um tempo de recarga (cooldown) antes de poderem ser usados novamente. As batalhas acontecem em tempo real, e esse intervalo serve como um “respiro” para que você ou o oponente tracem suas estratégias. É, talvez, o mais próximo que a franquia já chegou de um combate action sem abrir mão da essência clássica de comandos e estratégia, o treinador realmente comandando seu pokémon, quase como no anime.
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| Movimentação e batalha |
Resolvido o mal-entendido (o Pancham não era um ladrão, apenas um ajudante que carregava bolsas de turistas), a noite cai sobre Lumiose, e com ela surgem as curiosas Battle Zones. Todas as noites, determinadas regiões da cidade são isoladas por barreiras luminosas, e dentro delas ocorre uma espécie de battle royale: qualquer treinador que te veja pode te desafiar imediatamente, e o contrário também é válido.
Ao se registrar nessas batalhas, o jogador descobre um sistema de ranking baseado nas letras do alfabeto: começando do Z (iniciante) até o A, o topo. Durante as Battle Zones, os treinadores disputam pontos, obtidos ao derrotar adversários e completar missões específicas (como “use 10 ataques do tipo gelo” ou “acerte 3 pokémons com um pokémon megaevoluído”). Ao atingir a pontuação máxima de um ranking, o jogador ganha um ticket de batalha, que permite disputar uma luta de progressão. O torneio foi criado pela Quasartico com o propósito de motivar os treinadores, e aqueles que alcançassem o ranking A teriam um desejo realizado.
Taunie nos explica todo esse conceito depois de nos tirar de uma dessas zonas (onde havíamos entrado sem querer) e nos levar ao Hotel Z. Lá conhecemos o restante do Time MZ, liderado por ela, e também ZA, um gigante que diz ter 3.000 anos de idade, acompanhado de sua Floette de flor preta. Taunie então nos convida a integrar o grupo, acreditando que, ao subirmos de ranking nas Link Battles, atrairíamos mais clientes para o hotel (na cabeça dela, isso faz algum sentido).
- Durante o dia, somos livres para explorar Lumiose, entrar nas zonas selvagens para enfrentar e capturar pokémons, além de realizar sidequests espalhadas pela cidade.
- Durante a noite, acontecem as Battle Zones e as disputas por subida de ranking.
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| Caminhando por uma zona selvagem |
Passa então a ser nossa responsabilidade ajudar a empresa, acalmar esses pokémons e impedir o colapso da cidade. Esse se torna o verdadeiro propósito do jogo: subir de ranking, fortalecer os laços com seus companheiros, enfrentar batalhas desafiadoras e impedir que essas criaturas se destruam e, junto delas, Lumiose.
Entre acertos e tropeços, a chama reacende
Pokémonza é um jogo pelo qual eu tinha pouquíssimo interesse, diante de tudo que havia sido mostrado desde os trailers de anúncio. Tudo o que envolvia as novidades e somado à minha experiência prévia com Legends: Arceus, me afastava cada vez mais do jogo.
Lembro da minha primeira reação ao ver a Battle Royale: foi de indignação.
“Como assim até Pokémon tá cedendo à onda de battle royale que existe por aí?”
Sem contar o fato de abandonarem uma das características principais da franquia, a exploração do mundo, para nos limitar a uma única cidade novamente. Achava terrível.
Eu não pretendia chegar perto desse jogo, de acordo com o que tinha visto. Mas aí me bateu a vontade de revisitar a franquia. Já fazia tempo que eu havia terminado Sword, e pensei em jogar Scarlet/Violet, o caminho lógico. Entretanto, Legends: ZA tinha acabado de sair... Por que não tentar algo diferente, algo novo e que a comunidade estava recebendo tão bem?
Sim, as críticas ressaltavam o quão divertido o jogo era, apesar dos problemas. Então entrei de cabeça. E a crítica estava certa: o jogo é incrivelmente divertido. Quando você começa a jogar, entende algumas decisões da Game Freak durante o desenvolvimento. O motivo de praticamente excluírem a exploração, limitando-a à cidade de Lumiose, é porque o objetivo do jogo não é explorar, e sim desenvolver o novo sistema de batalhas apresentado.
Pode-se dizer que eles pensaram toda a estrutura para que você esteja o tempo todo batalhando. No período da manhã, você é direcionado às zonas selvagens para capturar novos Pokémon, fortalecer os seus e avançar nas missões das megaevoluções forçadas. Já à noite, você entra nas battle zones, ganhando pontos em busca do ticket de subida de ranking. E é aí que está o verdadeiro charme do jogo: é realmente muito bom batalhar.
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| Megaevoluindo meu Emboar |
Desde quando comecei a jogar Pokémon, lá na infância, eu me fascinava com o jogo, mas nunca era a mesma sensação das batalhas do anime. Claro que cada um tinha seu valor, não é isso que estou comparando aqui, mas esse novo sistema te faz sentir realmente imerso nesse mundo. Você se sente um verdadeiro treinador de Pokémon.
Não é simplesmente usar os ataques mais fortes de forma frontal. É necessário analisar os golpes do oponente, combinar bem os seus, aproveitar o cenário ao seu favor, desviar, fortalecer seus ataques... Por mais que os golpes sejam os mesmos da série principal, muitos têm novas funções e propósitos. (Como, por exemplo, usar um Skarmory, jogar Spikes para causar dano constante no adversário e usar Whirlwind para mantê-lo sobre os espinhos, longe de você.)
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| Alcançando o topo do ZA-Battle |
Eu consigo ver a Game Freak usando essas séries paralelas como um laboratório para testar novas ideias e decidir se levam ou não pra série principal, conforme a recepção do público. Se é realmente o caso, não sou a pessoa certa pra afirmar mas torço muito pra que esse modo de batalha não se perca, porque ele é extremamente divertido.
Mas nem tudo são flores em Pokémonza. O jogo carrega uma quantidade enorme de erros e problemas, desde o aspecto gráfico até a estrutura de jogo. Vou pontuar os que mais me incomodaram.
Primeiro, os gráficos.
Eu, acostumado com Pokémon desde a época do Game Boy, aprendi a admirar qualquer upgrade visual que a série recebesse. Por isso, não acho os gráficos do jogo em si tão ruins quanto muita gente comenta. Porém, o cenário... é tenebroso. Os edifícios são feios, parecendo blocos maciços de concreto, com pinturas no lugar de janelas e portas. Não há nenhuma profundidade. Eu entendo a necessidade de “dar uma nerfada” no gráfico pra rodar melhor no Switch (depois de todas as reclamações com Scarlet e Violet), mas o que fizeram aqui é, sinceramente, assustador.
A segunda parte que preciso destacar é essa limitação de exploração a Lumiose apenas.
Como comentei antes, a proposta não é explorar, mas pra dar ao jogador alguma sensação de descoberta, Lumiose foi construída como uma verdadeira metrópole — cheia de becos, ruas, avenidas, pokémons e treinadores vivendo suas rotinas. Há ainda os telhados (tão grandes quanto o chão da cidade) e até pedaços do esgoto.
A cidade é imensa, e pra facilitar a movimentação há pontos de fast travel gratuitos, além de um sistema de táxi que te leva a locais específicos conforme a necessidade. Mas, ainda assim, explorar Lumiose não é divertido. Pelo contrário, é tedioso.
A disposição da cidade é tão blasé que, por mais que você ande por horas, atravessando distritos de ponta a ponta, parece estar sempre no mesmo cenário. É uma monotonia de ambiente que não te convida a explorar. E, uma vez liberados os fast travels, não faz sentido não usá-los.
Pra tentar incentivar a exploração, o jogo traz cerca de 120 sidequests. Algumas são bem divertidas, até assustadoras (a do Litwick é fantástica), mas a maioria gira em torno de algum treinador que usa um tipo específico de movimento e te desafia pra mostrar o quão bom é. E, obviamente, amassamos todos.
Acho que a ideia principal dessas missões é funcionar como “mini tutoriais”, mostrando as diferenças dos ataques nesse novo sistema de combate. Mas depois da trigésima missão igual, fica um porre. Desisti de fazer todas, porque já estava de saco cheio.
Um dos maiores pecados da Game Freak aqui é a falta de dublagem nas cutscenes.
Pokémon nunca teve dublagem, e nos jogos antigos isso não incomodava. Mas conforme as gerações avançaram, começou a soar estranho. Nesse jogo, com cenas cinematográficas dignas de AAA, ver personagens totalmente mudos é feio. Ridiculamente feio. Faz muita falta ouvir as vozes, especialmente em momentos de maior emoção.
E então chego à minha maior crítica e à razão principal de eu ter escrito tudo isso: talvez Legends ZA tenha o pior protagonista da história da franquia.
Nos demais jogos, sempre tivemos o mesmo tipo de história: uma criança sonhando em ser campeã da liga, criando laços, salvando o mundo de uma equipe maluca no caminho. É um padrão, mas funciona, dado o nível de profundidade que a série pede. Aqui, porém, o protagonista é o ápice da reatividade.
Ele chega a Lumiose de trem, sem nenhuma explicação, motivação ou justificativa pra estar ali. É jogado direto nas battle zones, depois no hotel ZA, depois nas missões das megaevoluções forçadas, tudo simplesmente porque “ele é bom”. E o personagem só reage. Demonstra zero personalidade. O jogo tenta mascarar isso com opções de diálogo, mas todas levam ao mesmo resultado. Levaram o conceito de “protagonista mudo” ao extremo, tornando-o mudo e sem personalidade. É triste, especialmente considerando o enredo montado para ele ser quem salvaria a cidade. E pior: ao chegar ao final do ranking e poder escolher um desejo, as opções são genéricas, vazias e, no fim, te forçam a escolher apenas uma, mantendo o sistema Battle Royale com a categoria “Infinity”. Foram escolhas de design que abriram mão de profundidade narrativa em prol da urgência de manter o jogador batalhando o tempo todo.
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| Top melhores cenas, essa da escadinha |
No fim, Pokémonza é um jogo de muitos acertos e muitos tropeços. Extremamente divertido, mas cheio de falhas que destoam do ritmo geral. Por mais que eu tenha reclamado tanto dos pontos negativos, os positivos realmente brilham, e me deixaram com um grande sentimento de esperança para o futuro da série, seja na linha principal ou nos spin-offs.
Eu espero de verdade que a Game Freak dê mais atenção a esse sistema de batalhas, o refine, o traga de volta. É um acerto gigantesco, que me prendeu por muitas horas.
Se você é alguém que ama Pokémon, ou que já amou um dia e sentiu essa chama se apagar, talvez devesse dar uma chance a esse jogo. Ele é um sopro de esperança, capaz de reacender o que havia se apagado e resgatar aquela criança interior que só queria capturar seus bichinhos e batalhar.
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| Eu e meu mano Zygarde |













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