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Devaneios: O Fim do Mundo

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Devaneios: A Chama do Coração

 O terceiro exercício da Oficina Liber Quest até agora foi o mais complicado. Sei que disse no anterior sobre como havia sido desafiador, mas esse de agora me cobrou muito. Era uma situação completamente fora de qualquer expectativa que eu pudesse ter, um diálogo entre um autor, e uma outra pessoa. E já confesso que de todos que desenvolvi até agora, foi o que menos gostei. Mas, quero trazer todos aqui, não só os que tenha gostado. Então, deixo vocês com o resultado, e encontro vocês no próximo! *** A Chama do Coração O som de diversas vozes despreocupadas em diálogos frívolos se somava aos sons produzidos na cozinha e criava um ambiente aconchegante que acalmava o coração de Ulisses e o ajudava a se concentrar. Ele sempre odiou o silêncio, e aquele era o ambiente perfeito para suas criações. Sempre que a editora encomendava um novo volume, procurava pela cidade um café como aquele, onde se sentava e trabalhava, as letras esvaindo-se por seus dedos e tomando forma em seu notebook. ...

Devaneios: Pedido de Socorro

Chegou o momento do segundo exercício, e esse foi um pouco mais desafiador. A história deveria de passar em um floresta escondida, e construir um mistério, com pistas sendo reveladas aos poucos. O limite era de 400 palavras. Confesso que esse tem sido meu maior inimigo, a barreira do número de palavras. Talvez isso signifique que sou prolixo? De qualquer forma, deixo vocês com o resultado. *** Pedido de Socorro Richard estava havia dez dias fora de casa. Eram tempos ruins. A caça na floresta ao redor da aldeia era infrutífera. Precisou ampliar seu raio de alcance, adentrando terrenos pouco explorados por aqueles que ali viviam. Hurlan era uma vila próspera, mas tradicional em seus costumes. Havia quem dissesse que não se devia perturbar os deuses da mata fechada. Porém, precisavam comer, e encontrar carne para alimentar o povo era o trabalho dele. Montou diversas armadilhas pelo caminho, entrando cada vez mais na mata, mas sem sucesso. Era manhã quando decidiu adentrar um pouco mais, t...

Devaneios: Sob o Carvalho

Oficialmente foi dado início à Oficina Liber Quest, de escrita criativa. E ao longo dessas duas semanas, serão oito exercícios que resultarão em textos diferentes. Provavelmente, trarei aqui todos eles, para compartilhar com vocês.  O primeiro desafio era, escrever sobre um piquenique. Deveríamos explorar o que quiséssemos, da forma que desejassemos, mas atentando à utilizar pelo menos três dos cinco sentidos na história, além de limitarmos o texto à 350 palavras. Deixo vocês aqui com o resultado. Ele acabou se tornando um dos meus xodós. Espero que gostem. *** Sob o carvalho A brisa silenciosa do outono tocava-lhe o rosto enquanto Benedito estendia a toalha quadriculada sob a sombra do carvalho, como fizera nos últimos quarenta anos. Colocou a cesta de vime, com sanduíches naturais, biscoitos, frutas e um bolo, no centro da toalha. Sentou-se e começou a organizar tudo na mesma ordem de sempre. Os dois pratos e duas xícaras de porcelana azul, que Antônia tanto amava e que sempre lh...

Devaneios: A Moça da Janela

As resenhas estão sumidas daqui do blog, eu sei. Mas, como tenho me aventurado por esses mares da escrita, acabei encontrando neste espaço um lugar para trazer a outras pessoas esses pequenos exercícios que tenho realizado. Às vezes, até sinto que tenho mudado um pouco o tom do blog com esses textos que fogem das resenhas e opiniões, mas creio que seja por um bom motivo. Gosto de saber que minhas criações, mesmo que curtas ou sirvam apenas como pequenos exercícios criativos, estejam disponíveis para que outras pessoas possam conhecê-las. Agora, participando de uma oficina criativa, a Liber Quest, tive um novo desafio: escrever um romance. Tudo o que consumo do gênero se resume, basicamente, a mangás e animes. Em outras mídias, consumo pouquíssimas obras de romance. O curioso é que, justamente nos animes e mangás, o gênero está entre os que mais consumo. Então, aceitei o desafio. O segundo desafio foi manter o texto dentro do limite de 600 palavras e ainda encaixar as seguintes palavras...

Devaneios - Miniconto: A Última Piada

Seguindo a onda de criações semanais, de acordo com os desafios estabelecidos no grupo de criatividade, a atividade da semana foi um tanto quanto curiosa, e desafiadora. Ao invés de uma palavra, nos foi fornecido uma imagem. E dessa imagem, surgiu o miniconto abaixo. Espero que gostem. *** — Meu filho, nem mesmo a mais poderosa das magias pode atrasar o abraço da Senhora do Silêncio - disse o rei Istar I, com uma voz débil e frágil, como se fosse uma escultura de areia seca, quebradiça ao suave toque do vento. Uma tosse rouca, repetida e abafada, se seguiu à frase dita pelo monarca. O lenço que ele posicionava em sua boca retornou salpicado de sangue. Três dos mais poderosos magos do reino estavam no quarto real, ao lado de mais dois sacerdotes e três druidas, todos tentando, de alguma forma, retirar a mazela que exauria a vida do rei. Todos com semblante preocupado, suor permeando suas testas enquanto realizavam seus ritos. O príncipe Gaius, primeiro na linha de sucessão, estava ao la...

Devaneios - Miniconto: Minha Época

Participando de alguns exercícios de escrita criativa, vez ou outra aparecerei aqui com os resultados de minhas tentativas. Iniciando por esse miniconto. O tema era Nostalgia. *** A segunda mordida que Matheus deu naquele pequeno quadradinho doce, recheado de chocolate, o fez chorar. A primeira tinha sido extasiante. Seu cérebro demorou para processar a informação que suas papilas gustativas estavam recebendo. Quando deu a segunda, ele já estava preparado, mas trouxe algo que não podia ser previsto. Aquele sabor extremamente doce, com o chocolate hidrogenado grudando no céu de sua boca, enquanto a base do biscoito era triturada por seus dentes, era inigualável. Jamais tinha se esquecido dele. Chorou, pois algo dentro dele gritava sobre aquilo que agora era inalcançável. Ele, atualmente, era sufocado por uma rotina extremamente desgastante. Acordou de madrugada, mal tendo tempo de trocar suas roupas, ajeitar seu cabelo e escovar os dentes, e teve que correr para o ponto de ônibus para t...

Devaneios: O Futuro Era Mais Distante

Iniciamos aqui hoje, uma nova categoria de posts no blog. Posts que não estão necessariamente ligados à uma resenha, ou comentários sobre alguma obra. Serão textos mais intimistas, pessoais e despretensiosos. Podem ser chamados de crônicas? Não sei, creio que não. Talvez devaneios apenas seja um termo mais apropriado. Então, vamos lá. Definitivamente, eu tenho medo dos 30 anos. Um marco que agora vejo ali, virando a esquina, e que, de alguma forma, tem me assustado. Algo que nunca havia acontecido, nunca havia me preocupado… Ter ideias, sensações e impressões a respeito de idade sempre foi insignificante pra mim. O tempo sempre foi algo irrelevante, e essa contabilização não era enxergada por mim além de números. Um conjunto insignificante de números, que nada dizia, na verdade. Não sei quando essa chave virou, mas agora me assombra. Talvez seja o amadurecimento que bateu na minha porta e me falou: “Parabéns, você não é mais uma criança.” Demorou pra chegar, não é, senhor amadureciment...

Mais um livro, mais uma sanderlanche: Warbreaker, de Brandon Sanderson

Minha carteirinha de fanboy do Brandon Sanderson está emitida, ativa e renovada, como nunca esteve antes. Eu sou completamente incapaz de desgostar de qualquer história que esse homem cria. É incrível como eu consigo gostar de cada detalhe, até mesmo daqueles que o pessoal costuma reclamar. É, sem dúvidas, o meu autor favorito, e esse ano estou quase fazendo um “Year of Sanderson”, lendo vários livros dele, até mesmo em sequência, coisa que eu não costumo fazer com nenhum outro autor. Correndo atrás de alguns que eu deixei parados, finalmente li Warbreaker, um livro único em meio ao gigantesco esquema de pirâmide que é a Cosmere. E eu chamo de esquema de pirâmide porque, mesmo quando você lê um livro único, como Warbreaker ou Elantris, ainda assim eles são partes fundamentais de um grandioso universo que está sendo construído pelo nosso Sanderson. E convenhamos, essa história de “é um livro único, você consegue ler só ele sem precisar entrar na Cosmere” é balela. Sabemos muito bem que ...

Uma Nova Vida em um Corpo de Aço, Diário Mental N de Rodrigo M. Rodovalho

Acredito que seja o sonho da grande maioria dos apaixonados pela literatura publicar a sua própria história. Eu mesmo, por sinal, tento sempre trabalhar em uma minha, mas acabo me autossabotando e desistindo no caminho. Imaginem a minha surpresa quando descubro que um companheiro de trabalho havia acabado de publicar, de forma independente, seu próprio livro. E digo mais: um livro de ficção científica, um dos meus gêneros favoritos. Não medi esforços e cobrei esse meu amigo até a publicação, além da versão física, também da versão digital (que atualmente é a que mais funciona para as minhas leituras) e iniciei a leitura assim que esteve disponível. Comecei, então, a jornada através do Diário Mental N, do meu amigo Rodrigo M. Rodovalho. Nessa história, acompanhamos o despertar de uma consciência, ainda completamente sem memórias, mas com alguns fragmentos de seus gostos e hábitos, em um laboratório. Nesse ambiente, a consciência vai percebendo que pertence a um cérebro humano que, media...