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Final Fantasy III é o mais divertido até agora!

Eu consigo imaginar a reunião criativa esse jogo. "Lembram daquele jogo que a gente fez que não ia ter continuação, mas vendeu muito e ai fizemos uma continuação, que não vendeu muito? E se fizéssemos uma outra continuação bem igual ao primeiro jogo, só que maior e melhor?" 
    Silencio na sala...
    "Boa ideia!" E assim surge Final Fantasy III, que é quase um releitura do primeiro jogo só que ao mesmo tempo, diferente.
    Final Fantasy III é um RPG desenvolvido pela Square e publicado em 1990 para o NES. Assim como o 2 ficou somente no japão durante muitos anos e veio para as Américas apenas em 2006 em versões diferentes para psp e ds, possuindo até uma versão 3D.
    Existe um tênue equilíbrio entre luz e trevas e esse equilibro é o que mantem a vida. No passado distante um desiquilíbrio pendendo para a luz causou uma grande inundação que afundou os continentes e quase destruiu o mundo, então quatro heróis escolhidos pelas trevas contiveram a luz e salvaram o que restara do mundo. Agora os poderes se desequilibram novamente, desta vez pendendo para as trevas, é então que quatro crianças caem em um buraco e descobrem um antigo templo em uma caverna, nela encontram um cristal que os anuncia como os escolhidos da luz e os incube de salvarem o mundo.
    A historia do terceiro se aproxima bem mais do primeiro do que o segundo. Tanto em atmosfera, quanto a construção narrativa. São arcos bem episodiais que eventualmente convergem para tentar criar uma linha narrativa. No primeiro jogo sabemos desde o inicio que precisamos derrotar quatro demônios, no segundo sabemos que precisamos parar o imperador. No terceiro demora para descobrimos com mais profundidade o que está acontecendo para além de: salvar o mundo. Essa introdução que eu coloquei em cima, você descobre varias horas depois do inicio e mesmo assim não diz muita coisa. O próprio vilão principal do jogo aparece do nada e só la pro final.
    Isso dito, é perceptível como a saga esta se complexando em questão narrativa, mesmo com a limitação do numero de caracteres que o nes consegue armazenar. O que obviamente afeta o enredo. 
    O terceiro pega varias acertos do dois e os replica. Como os protagonistas que tem nomes e falas, personagens secundários com personalizadas, ainda que unidimensionais; as missões secundarias que muitas vezes nem o parecem ser por estarem atreladas a eventos ou personagens mais relevantes; e certos eventos que o jogo te força a enfrentar por uma questão de construção narrativa e que dão aquela sensação árcade, sabe? 
    Um exemplo disso é um pequeno arco aonde você luta com um chefe que, naquela parte do jogo, é invencível e aparece apenas por uma questão narrativa e derrotar ele se torna uma coisa secundaria no futuro. Ou partes aonde é necessário usar uma magia de encolhimento para passar por passagens pequenas..
    Em resumo, melhor que o primeiro, mais fraco que o segundo em questão de emoção, mas mais complexo em um sentido narrativo. Na minha opinião pelo menos.


    O primeiro criou a base do que a franquia é  até agora, em cima disso o segundo criou um sistema de progressão que quebra as formas de classes tradicionais e também introduz um sistema de palavras chaves. O terceiro ignora tudo o que o segundo tentou  fazer e introduz um sistema de "jobs". Em uma tradução livre, "profissão", que são as classes. A diferença aqui é essas classes são liberadas ao longo do jogo e podem ser alterada a qualquer momento fora de combate. Tem varias opções, desde as básicas que apareceram no primeiro, até bardo, cavaleiro negro, e invocador. Tem classes de dano físico, de dano a longa distancia, que focam em dar dano em área, hibridas, com poderes e movimentos únicos, enfim... São 22 classes se não me falha a memoria. A variedade é indiscutível.
    E pela primeira vez são introduzidos os famosos summons de Final Fantasy, já introduzindo alguns icônicos, como o dragãozão behemoth, o leviatã, Ifrite, etc. A partir daqui eles vão ser constantes nos jogos e vão ser explorados a partir de varias abordagens diferentes. É também nesse jogo que são introduzido os Moogles, umas criaturinhas brancas com asinhas de morcego que, assim como os summons e os chocobos, vão aparecer no resto da franquia.
    Mas voltando, a maneira como se explora o sistema de classes altera a maneira como se aborda as lutas, obvio, mas principalmente as lutas de chefe. O jogo pode ser bem difícil ou bem fácil, por que o jogo quer que você como jogador troque de classes para enfrentar os chefes e até mesmo dungeons ou trechos inteiras. 
    Tem partes inteiras aonde certos tipos de classes se tornaram totalmente inviáveis e se você força ai vem a dificuldade, do contrario o jogo sera fácil, apesar de que ainda vai ser o mais difícil da franquia até agora. Minha experiencia: esse jogo foi o mais difícil para mim, porque nas lutas de chefe eu ficava teimando com o mesmo time até passar; e enquanto explorava o mundo eu gastava um tempinho testando as outras classes, e não gostei da maioria delas... É foda. O que adicionou na dificuldade é que até o final do jogo um dos meus personagens ficou fixo na classe inicial, que é o cavaleiro cebola. Essa classe é a mais forte do jogo, mas isso só acontece nos seus níveis finais, até lá ela é basicamente inútil.


    E falando de explorar, dos três esse é o que eu mais gostei de passar tempo explorando. Gosto de como segue a filosofia de o jogo não te pegar pela mão ou te indicar aonde ir, você vai e explora ou descobre as coisas através de itens ou npcs. Só que tem uma coisa que ele faz que nem que igual, só que diferente do primeiro, que é a expansão do mapa aberto. No começo o mapa é visivelmente pequeno, as coisas estão próximas uma das outras, e ao usar a aeronave, que você desbloqueia no começo do jogo por um tempo, as montanhas não são transponíveis e elas funcionam como paredes. O que cria uns corredores de montanhas toscos no mapa. 
    Até que você chegar na borda.
    É ai que você descobre que esse pedaço de terra é um continente flutuante. Não é um npc ou um item que te fala nem mesmo o enredo do jogo, você descobre isso explorando e naturalmente chega lá. E é ai que ele faz diferente do primeiro. A expansão do mapa não se da através de obstáculos que se tornam transponíveis, é o próprio mundo que se expande. Do continente flutuante o jogador sai para o mundo aonde só existe um único oceano, até que avançando mais no jogo os continentes são trazidos de volta para a superfície, apos isso se consegue mergulhar no oceano e explorar suas profundezas. Eu gostei muito de como eles mudaram a perspectiva dessa mecânica. 
    Apesar de que não sem falhas. O fato da aeronave não ter como passar através de montanhas é bem bosta e para contornar isso eles adicionaram uma mecânica de pular as montanhas. Até ai tudo bem, disse o frango na porta do forno. Mas tem uma hora que eles tentam fazer um labirinto no mapa aberto que você tem que pular varias montanhas seguidas pelo caminho certo para entrar em uma dungeon, e meu deus... É uma das piores partes desse jogo. Junto com a dungeon final, a torre de cristal, que é aquela parte aonde visivelmente todo mundo já estava cansado do jogo.
    Inclusive, as dungeons estão bem melhores de se explorar nesse jogo. Em linha de regra, elas estão relativamente mais complexas, com caminhos menos óbvios de para aonde se deve ir. O que eu gosto. E dessa vez o ladrão tem utilidade, porque toda localidade tem algumas salas trancadas e o ladrão é o único que consegue arrombar essas fechaduras... Ou você pode comprar uma chave magica também...


    De resto acho que é chover no molhado. A duração do jogo ainda é a mesma media dos anteriores. A trilha sonora continua uma putaria de boa. De verdade 
Nobuo Uematsu não erra, o cara é foda. E até o momento o terceiro tem o premio de melhor trilha sonora... E de melhor jogo no geral. Ainda tem muita água para correr de baixo da ponte, e é bem provável que isso ira mudar, mas até o momento esse jogo é o melhor e o mais divertido de se jogar dos três.
    Agora me de licença que preciso ir jogar o quarto. Na expetativa da saga continuar em uma crescente. Veremos...

                                                                                                                                                       ~Lagarta

PS: Esse é o terceiro jogo seguido, aonde o chefe final é um deus. Pelo visto a mania de JRPGS de colocar uma divindade como chefe final de um jogo é bem antiga. Eu sei que em outros jogos de FF isso também acontece, então vamos ver o quão frequente é esse meme na saga.

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