Chegamos ao quarto exercício da Oficina Liber Quest! Nesse, o objetivo era tecer um miniconto do ponto de vista de um astronauta olhando para o nosso planeta Terra, mas do lado de fora, para trabalhar a imaginação, construção de emoções com aquele famoso "show, don't tell" que gostamos tanto. Mostrar com sentimentos, sensações, mas sem dar os nomes, fazendo o leitor sentir junto do personagem a situação. Novamente, nosso limite eram 400 palavras. Eu quis fazer ele um pouquinho fora do convencional, me lembrei de um episódio muito bacana de Dr. Who, e o resultado foi esse:
***
O Fim do Mundo
O computador podia fazer aquele trabalho sozinho, sem a necessidade de um operador, mas Victor havia pedido para estar ali. Todos os dados eram coletados, checados e organizados pela inteligência artificial. Mesmo assim, ele havia solicitado sua permanência na estação. Queria acompanhar de perto os últimos segundos de sua terra natal.
Observava pela imensa janela à sua frente aquele velho globo flutuando em meio à imensidão negra. Mesmo a mais de um milhão de quilômetros de distância, ainda era surpreendente conseguir enxergar a superfície do planeta. Agora, não tão azul quanto fora no passado. Mais de quarenta por cento dos oceanos já haviam secado. A temperatura havia se tornado completamente inviável para a vida humana, e a última nave tripulada havia partido há mais de seis anos.
Ao perceber que, naquele instante, o planeta era uma casca vazia, sem vida, Victor sentiu o peito apertar. Uma mão invisível parecia pressionar sua garganta, dificultando até mesmo engolir a saliva.
– Computador, quais são os níveis de superaquecimento do núcleo?
– Estão subindo cerca de quinze por cento por minuto. As erupções já estão acontecendo em pelo menos trinta por cento do planeta.
Victor olhou novamente para a Terra, tentando enxergar as erupções na superfície. Sabia que, daquela distância, não seria possível. O computador poderia lhe fornecer imagens mais próximas, mas ele queria acompanhar aquele momento com os próprios olhos.
Lembrou-se dos tempos felizes que vivera naquele lugar. Era sua casa, e agora precisava dar adeus. Lembrou-se também da corrida entre os países para salvar a raça humana antes do cataclisma.
– Contagem para a explosão iniciando em trinta segundos – disse a voz do computador.
– Levantar escudos.
– Não há necessidade, senhor. Estamos há…
– Não importa! Levantar escudos.
Lágrimas escorriam pelo rosto de Victor enquanto a contagem regressiva ecoava pela estação.
Então, uma luz irrompeu do interior do globo e se espalhou por milhares de quilômetros em todas as direções, pintando de branco e laranja o vazio negro. Durou poucos segundos.
Quando a luz desapareceu, já não havia planeta. Apenas destroços flutuavam no vazio, e Victor não desviou o olhar.

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