Chegou o momento do segundo exercício, e esse foi um pouco mais desafiador. A história deveria de passar em um floresta escondida, e construir um mistério, com pistas sendo reveladas aos poucos. O limite era de 400 palavras. Confesso que esse tem sido meu maior inimigo, a barreira do número de palavras. Talvez isso signifique que sou prolixo? De qualquer forma, deixo vocês com o resultado.
***
Pedido de Socorro
Richard estava havia dez dias fora de casa. Eram tempos ruins. A caça na floresta ao redor da aldeia era infrutífera. Precisou ampliar seu raio de alcance, adentrando terrenos pouco explorados por aqueles que ali viviam. Hurlan era uma vila próspera, mas tradicional em seus costumes. Havia quem dissesse que não se devia perturbar os deuses da mata fechada. Porém, precisavam comer, e encontrar carne para alimentar o povo era o trabalho dele. Montou diversas armadilhas pelo caminho, entrando cada vez mais na mata, mas sem sucesso.
Era manhã quando decidiu adentrar um pouco mais, tentando encontrar algo para levar de volta. Seguiu caminhando por entre as árvores, quando uma voz vinda do lado esquerdo o fez sobressaltar.
— Por favor! Me ajuda!
Era uma mulher em um vestido simples de linho. Os cabelos estavam desgrenhados e colados à testa, misturados ao sangue que escorria de um corte. Cheia de hematomas, o braço esquerdo pendia frouxo. Como chegara ali sem que ele percebesse? Richard estava atento, mas não a notara.
— Está tudo bem, moça? Você está ferida?
— É o meu filho! Por favor, me ajude! Ele está preso, não consigo tirá-lo!
Ela virou-se rapidamente, chamando-o para que a seguisse. Richard, assustado, resolveu acompanhá-la.
— Você está sangrando. Deixe-me te ajudar primeiro.
— Não, precisamos ir, senão será tarde demais!
Ela seguiu em um ritmo tão acelerado que pouco faltava para ser uma corrida. Richard percebeu que seus pés nem sequer faziam marcas na grama. Por um instante, olhou para trás. As pegadas estavam ali, mas as dela, não.
— Onde ele está?
— Em casa! Vamos, rápido! Não há tempo!
Havia pessoas vivendo ali? Aquilo era novo para ele. Apertou o passo e seguiu a moça.
Depois de alguns minutos mata adentro, chegaram a uma clareira onde ele avistou uma casa de madeira. A construção parecia esquecida pela floresta. Musgo cobria parte das paredes, e galhos secos se espalhavam pelo telhado. Uma árvore havia caído sobre ela, explicando o desespero da mulher. Ela então se virou.
— Por favor. Ele está lá!
Richard entrou correndo pela porta da frente, fechada, mas destrancada. Um choro de bebê ecoava, fraco, por um dos cômodos.
Quando chegou até ele, Richard quase caiu para trás. A moça que lhe pedira ajuda estava ali, caída sob os escombros do telhado, com metade do corpo para fora.
O choro da criança vinha debaixo dela.

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