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Mass Effect Andromeda é ruim, mas...

Quando Mass Effect Andrômeda lançou foi um grande consenso entre a mídia e os fãs que o jogo era ruim. Mais de quarenta milhões de dólares e cinco anos de desenvolvimento não foram o suficiente para entregar o que o jogo havia prometido e não correspondeu ao hype que era gigantesco. Junte isso a um problema grave de bugs e performance e a possibilidade de Andrômeda dar inicio a uma nova saga morreu imediatamente. 
    Minha experiencia foi diferente da maioria. Andrômeda foi o primeiro jogo da franquia Mass Effect que joguei. Não havia nenhuma expectativa envolvida nesse processo. Ele inclusive me motivou a jogar a trilogia original uns meses depois, que mesmo sendo um pouco datada, é bem superior. Enquanto os créditos rolavam eu pensava na minha experiencia de sessenta horas e sim, achei o jogo ruim e os bugs ainda estavam presentes, em menor quantidade, mas não achei tão pavoroso e apesar de tudo, fiquei até um pouco triste ao saber que essa historia não receberia um encerramento. Tem alguns acontecimentos e certos mistérios que realmente achei interessantes e queria ver os seus finais. Dito isso... Eu não sei  bem aonde quero chegar falando desse jogo nem que finalidade alcançar. Geralmente uso esse espaço para falar sobre jogos que gostei e quero recomendar, mas não sei se eu recomendaria esse jogo para alguém... Acho que só quero falar um pouco dele mesmo. Enfim... 


    Mass Effect Andrômeda é um RPG de tiro em terceira pessoa(TPS), ação-aventura e exploração. Desenvolvida pela BioWare lançado em 2017 e disponível para: PC, Xbox e PS. O principal foco do jogo seria na exploração e na historia com o fato de ser um RPG onde é possível realizar  suas próprias escolhas que levariam a vários possíveis desfechos na historia, em teoria ao menos. 
    O jogo se passa em mais de cem anos no futuro onde vemos a Expedição Andrômeda que está começando sua viagem com o objetivo de viajar até a galaxia mais próxima da nossa, a galaxia de Andrômeda, explorar em busca de aventuras, novas civilizações e qualquer outra palavra que um filme de sessão da tarde usaria. Conforme o jogo progride vem a tona motivos mais obscuros para a realização da expedição, mas mais sobre isso depois.
    Corte. 
    Quinhentos anos depois acompanhamos a checada de uma das arcas a nova galaxia, a arca humana Hyperion, com o personagem principal preste a acorda do sono criogênico. A primeira escolha do jogo é decidir qual dos irmãos Ryder vai ser o personagem principal, Scott ou Sara. Após um deles acordar as merdas começão a acontecer. A gravidade falha, picos de energia, erros mecânicos, falha na comunicação etc. Tudo isso acontece devido a arca entrar em contato com uma estranha nuvem espacial feita de matéria escura e nessa situação o Explorador, o pai do personagem principal e aquele com a função de encontrar um lar para os colonos, decide fazer uma pequena missão de pouso e reconhecimento no planeta que deveria ser a nova colonia humana, Habitat 7. O suposto "planeta dourado" é um planeta estéril que é acometido por tempestades de raios desastrosas. Antes dos transportes serem destruídos por raios os personagens avistam uma grande estrutura que parece estar mexendo com o clima daquele planeta.
    Após a queda o objetivo é procurar os sobreviventes e seu pai. No caminho você encontra uma nova especie de alienígenas nada amigáveis, os Ketts. Algumas pessoas morrem outras não. Você encontra seu pai, missão para invadir a estranha construção alienígena, tudo da certo graças a incrível IA que auxilia o seu pai Explorador, acidente, seu capacete quebra e em um ato final o seu pai se sacrifica lhe entregando o seu próprio capacete e junto disso a sua IA, chamada SAM, e o cargo de Explorador/a. Agora Ryder tem a função de descobrir os novos mistérios que essa galaxia guarda e encontrar um lar para seu povo nesse lugar hostil.
    

    Essa premissa não é nova, nós já vimos essa historia, ou suas semelhantes, em milhares de lugares e a intenção do jogo é tentar seguir a estrutura básica desse tipo de enredo. Isso por si só não é um problema. Eu inclusive defendo que se algo é clichê é porque funciona. O primeiro ato é bem construído, a introdução do objetivo, do tom que o jogo espera abordar e as ameaças no caminho. O problema é que acaba ai.  Após as primeiras horas a historia não se torna interessante ou engajante. A parte da aventura e do descobrimento de novos mistérios e coisas jamais vistas não é verdadeiramente entregue em 95% do tempo. Apesar dos Ketts e sua sociedade serem interessantes, o vilão tem minutos de tela no jogo inteiro, e não estamos falando de um vilão que é inalcançável e só age através de seus subalternos e nos poucos momentos que aparece consegue ter sua presença sentida e temida. Ele tem apenas alguns minutos de tela porque não conseguiram ou talvez não pensaram em fazer algo de relevante com ele. Esse jogo tem um serio problema de nos contar as coisas, mas não mostrar. Tirando em raros casos, não nós é mostrado diretamente que a iniciativa está fodida, os personagens falam e você acredita e ponto. Assim como a ameaça. Em nenhum momento o jogo nos mostra como os Ketts são terríveis e perigosos ele apenas falam que são, ai como você bate neles o jogo inteiro a tensão ou o medo para com esses inimigos não existe.
    Junte isso a: diálogos fracos, escolhas que não fazem diferença e não geram consequências com as pessoas ao seu redor, uma expressão facial bunda e temos um dos finais mais broxolão que já presencie em um jogo. 
    A expressão facial desse jogo, ou a falta dela em vários casos, é tão ruim que eu desconheço um  palavrão que defina com precisão o quão merda é. Quando consegui fazer uma Sarah na criação de personagem que parecia minimamente humana parecia que eu havia ganhado da Bioware no seu próprio jogo.
    Agora, o Ryder e os companheiros que o acompanha durante a história pelo menos pendem para um lado mais positivo. Como disse acima Ryder pode ser a Sara ou o Scott. Eles são personagens diferentes, com passados, gosto e personalidades diferentes o que é bom para diferenciar e individualizar cada um. Porém, as situações durante a historia e as opções durante esses momentos serão as mesmas. A única diferença real de escolher entre um e outro é, alem da pequena diferença entre as suas personalidades e passados, abrir a possibilidade de romance com certos personagens e só. Independente de qual for sua escolha é legalzinho o momento em que um deles vira o explorador e faz sentido a passividade e a inexperiência em liderar, afinal nenhum deles tem experiencia com isso, mas, quando tentam fazer o desenvolvimento do personagem para um líder que as pessoas confiam e se apoiam, ai já não funciona. Não existe uma construção gradual ou momento em que a gente fala:`O Ryder agora é um lider!`. 
    Sobre os seus companheiros, vou falar deles rapidamente e de forma mais geral. Alguns são legais e tem historias e missões interessantes, outros tem apenas missões interessantes e o personagem em si da vontade de jogar pelo espaço. Alguns se tornam interessantes se você fazer o romance deles, apesar de todos os romances do jogo parecerem estar incompletos, e outros não são possíveis de ser ter romance. No geral eles são bons, o que é uma palavra curta. O Drack para mim é um dos melhores companheiros da franquia, desde a personalidade, a historia e sua missão de fidelidade.
    

    Fora isso o que mais tem para fazer no jogo? Bem, explorar. O jogo tem alguns planetas exploráveis, cada um deles sendo um mapa aberto. Nesses mapas se encontra pontos de interesse, missões secundarias, bases inimigas, aquelas construções gigantescas que terraformam planetas etc. Nada de novo sobre o sol, mas que vários jogos já fizeram funcionar. Aqui não funciona muito. Os mapas são bem simples, todos bem parecidos e vazios no sentido de se encontrar coisas interessantes, a variedade de tipos de inimigos são poucos e rapidamente começam a ficar repetitivos. Passa uma grande sensação de: viu um? Então já viu tudo. E a forma como se viaja nesses mapas é em um carro que é ruim de controlar e toda hora faz você mudar o modo que ele anda devido ao terreno. Não é nem um pouco satisfatório ou prazeroso. 
    A próprio ideia de ambiente para cada planetas também é muito simples. Temos um planeta deserto, rochoso e radioativo. Outro congelado. Outro que é uma copia da selva de Pandora. Outro que é um deserto igual duna. Não tem problema as coisas serem simples e vários dos planetas são bonitos visualmente falando, o foda é que umas das premissas do jogo é a de explorar planetas novos em uma galaxia nunca antes vistas e esse é o máximo de criatividade que conseguem?
     Importante falar que na verdade o mapa aberto não estava nos planos originais do jogo. Ele foi forçado pela EA que achava que um jogo com um mapa aberto seria mais popular entre os jogadores. 


    A falta de criatividade também vale para grande parte das missões secundarias, que além de simples também são bobinhas. As poucas que eu achei interessante, e com poucas quero dizer umas sete, foram as que envolveram os problemas da população da iniciativa, as de conspiração, espionagem e investigação, e a colonia Krogan. As de investigação inclusive abrem certas teorias que poderiam fazer a gente questionar o verdadeiro objetivo da criação da iniciativa, mas essas missões nunca irão ter um final. Não tem muito mais a dizer sobre.
    O que mais tem para falar... A sim o combate. É legal, para mim o melhor de toda franquia. Ele é rápido, tem varias opções de armas e varias habilidades que podem ser escolhidas e combinadas para criar seu próprio estilo. Também tem um pequena movimentação aérea. Ryder pode pular, desviar e até flutuar por um tempo para atirar enquanto no ar.
    

    E é isso. Tem algumas coisas que eu ainda queria reclamar, mas acabou não encaixando. Como disse no começo: não sei se recomendo esse jogo para alguém. Minha tristeza é saber que essa possível trilogia Andrômeda tinha potencial. Se por um acaso você que estiver lendo decida jogar esse jogo, por seja qual for o motivo, só saiba que esse jogo nunca vai ter uma continuação no caso remoto de, assim como eu, você gostar o suficiente para querer saber como poderia terminar essa historia. Porque no final Mass Effect Andromeda é ruim, mas ainda dá para se interessar por algo nele.
                                                                                                                                              ~Lagarta

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