Os seres humanos sempre contaram histórias. Começamos de maneira oral então pintamos em paredes nas cavernas, depois criamos músicas, poemas e também as registramos em pedra, metal, seda, papel, folhas, cera e etc. Seja uma historia real ou fantástica, seja ela verdade ou uma simples ficção é indiscutível que contamos histórias a todo momento e o foco de Moon Hunters é você, jogador, montar sua própria história que no futuro se tornará uma lenda passada entre seu povo.
Moon Hunters é um jogo de ARPG e rougelike desenvolvido e publicado pela empresa canadense Kitffox Games e está disponível para PC, PS, Xbox e Nintendo Switch.
Nas terras de Issaria diversas tripos e povos se preparam para um grande festival. Quando o sol se põe todos se reúnem para saudar e homenagear a deusa lua que também é a personificação dessa. Porém ela não aparece... Você então recebe a missão de descobrir o que aconteceu e trazer a lua de volta ao céu. Claro isso não será tarefa fácil, com o desaparecimento da lua criaturas antigas e poderosas se encontram em frenesi e a tribo do sol começa a movimentar suas tropas em preparação para uma guerra. Nesse cenário caótico, sua aventura começa!
Sendo bem sincero, eu gostei bastante de Moon Hunters, mas acho que não é muito discutível que esse jogo é mediano, no máximo. O que quero dizer com isso, é que a grande maioria das coisas ao qual ele se propõe e o que ele te entrega no produto final são no máximo medianas, entende? Mas vamos por parte.
No começo do jogo aparece a primeira escolha da aventura, escolher com que personagem jogar. Cada personagem possui uma classe, um nome e uma história diferente, mas tirando as classes, e consequentemente a maneira que cada um funciona, não tem nenhuma diferença no resto do jogo. Ao todo são seis personagens, sete se você jogar no PC, mas a gente fala disso no final. Depois da classe a próxima escolha é sua tribo, são quatro. Elas fazem diferença? Não e sim... O jogo funciona por fases, cada fase só pode ser visitado uma vez por jogada e a sua tribo inicial conta como a primeira fase do jogo. Existe certas interações e até aquisição de alguns itens em que são necessários certos requisitos que não são atendidos no começo. Então se quiser descobrir essas coisas na próxima rodada escolha outra tribo.
Eu vou usar essa parte de cima para dizer o que o jogo faz de melhor, depois a gente joga as pedras. As melhores coisas desse jogo são: a arte no geral, seja a pixel arte ou os desenhos, coop até quatro jogadores, a trilha sonora e a história, quando tem, a gente já fala disso. A arte fala por si só. A trilha sonora é original, de altíssima qualidade e tem uma sacada legal: as músicas em que tem a cantora, a sua voz fica de trás para a frente, aí se não prestar muita atenção o Inglês parece uma língua antiga, diferente e misteriosa que a gente nunca teve contato.
As terras de Issaria possuem uma estética mesopotâmica antiga, ela é vista nas lendas, criaturas, construções e vestimentas e explorar a historia e os povos dessa terra é muito legal. Só que tem muito pouco disso e a historia que ocorre durante o jogo é muito básica, pouco interessante e quase inexistente.
Agora vem pedrada. Cada rodada dura cinco dias no jogo e demora cerca de uma hora para se completar a rodada. Como já citado acima o jogo possui fases, elas mudam a cada rodada e são escolhidas através de um mapa. Tem diversas regiões para se explorar: pântanos, florestas, montanhas, desertos, praias, enfim... Algumas fases são apenas inimigos, outras possuem pontos de interesse, outras são cidades e/ou pontos comerciais. Lembrando que não tem luta ou inimigos nas cidades e pontos comerciais.
O problema é que as fases em si são muito pouco inspiradas e eu digo em sua estrutura mesmo. Espaços mais estreitos que funcionam como corredores e aí um espaço aberto com inimigos, alguma coisa para interagir em outro espaço aberto, se repete algumas vezes e pronto você tem uma fase. Apesar de cada bioma ter uma estrutura própria ela é repetida em toda fase daquele bioma, o exemplo anterior é do deserto. E as lutas nesses biomas são além de simples muito fáceis. É pouca a variação de inimigos e do padrão de seus golpes, os próprios personagens jogáveis possuem golpes bem simples e repetitivos. Mesmo sendo possível melhorar seus golpes, criando assim novos combos, isso não adiciona uma mudança significativa no combate e o jogo possui ao todo apenas quatro chefes. Mesmo com as classes de suporte a dificuldade em geral é bem baixa e não te propõe nenhum desafio.
Se você leu com atenção deve estar se perguntado: "Mas esse jogo não é sobre contar a historia do seu personagem? Afinal está até no titulo do post!". Que bom que você fez essa pergunta, por que agora vamos para a maior mecânica do jogo, ou ao menos a que o jogo mais vende. A possibilidade de fazer escolhas e moldar a personalidade, a historia e a lenda do seu personagem.
Enquanto estiver se aventurando várias situações iram se apresentar a você e dependendo das suas escolhas nesses momentos seu personagem ganha diferentes traços de personalidade, como: paciente, valente, sedutor, sábio, tolo, etc... Esses traços te possibilitam tomar certas atitudes. Uma pessoa paciente pode usar um pomar calmo para meditar, enquanto uma pessoa orgulhosa usará esse mesmo pomar para treinar. Um sábio pode analisar um estranho circulo formado por cogumelos e um tolo ira comer um dos cogumelos e ver o que acontece. Vários momentos surgem ou podem ser modificados por causa dos seus traços. Esses traços, suas escolhas e interações serão carregados até o final do jogo onde a historia da vida de seu personagem é contada e uma constelação junto de uma lenda é associado a seus feitos e escolhas. No menu de constelações você pode ver as habilidades e informações relevantes desbloqueadas permanentemente juntos com as lendas que foram construídas.
Esse sistema é legal. Construir lendas diferentes com personagens e situações diferentes é bem legal e pode te interessar por um tempo, mas acaba ai. A sua personalidade não afeta a historia, não afeta o ultimo chefe que é sempre o mesmo, não muda nada. Efetivamente não faz diferença se você cria um buda ou um senhor da guerra. Se retirar esse sistema do jogo praticamente nada é mudado. Sem contar que é difícil acompanhar a personalidade do seu personagem por que a todo momento ela está mudando e só é possível ver os três traços mais proeminentes da rodada.
Dito tudo isso... Eu gostei desse jogo. Eu apenas fico um pouco triste, poderia ser tão mais. E eu recomendo você dar uma chance para Moon Hunters. É um jogo bacana que pode te cativar por algum tempo e vários momentos serão interessantes na sua primeira vez, principalmente se jogado em galera. Sem contar que o preço dele cheio na Steam é de quarenta reais, mas ele vive em promoção e o preço cai para cinco reais com bastante frequência. No play é setenta reais, mas também vive em promoção. Caso decida comprar esse jogo aproveite seu tempo nele porque dá para ter uma experiência legal e ganhar carrinho por ele.
~ Lagarta
Obs: Recomenda pegar esse jogo no PC. Por que ele é a unica plataforma que possui uma DLC grátis que adiciona um modo novo, que é o modo arena, uma personagem nova, uma tribo nova, um bioma novo e um novo final. Sacanagem sem tamanho ter isso só no PC.




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