Spiritfarer é um jogo indie de simulação de gerenciamento, sandbox e elementos de plataforma, foi desenvolvido e publicado pelo estúdio canadense Thunder Lotus Games em 18 de agosto de 2020. O jogo está disponível para Microsoft Windows, macOS, Linux, PlayStation, Nintendo Switch, Xbox e até mesmo para o falecido Stadia.
Logo após a cena inicial com Caronte, Stella encontra um navio abandonado junto de seu primeiro passageiro, sua prima chamada Gwen, que a guia a um estaleiro de navios onde é introduzido o lugar, a interface e o npc responsável por atualizar o navio. As atualizações vão desde o tamanho do navio até o desbloqueio de estruturas novas. É neste navio onde você irá passar uns 90% de tempo do jogo, tempo esse que passara das vinte horas com facilidade. Ele também é a casa de Stella e a casa temporária de seus passageiros, aqui é onde ocorre a parte de gerenciamento do jogo, seus passageiros têm necessidades, como uma casa, cada espírito tem sua casa própria. Eles também sentem fome, o que afeta o seu humor, então você precisa de uma cozinha, a partir disso a necessidade de ingredientes que devem ser plantados em hortas, tudo isso necessita de materiais que são encontrados nas ilhas ou produzidos e refinados em estruturas construídas pelo jogador, etc.
Esse é basicamente o loop do jogo: você vai navegar pelo oceano explorando as ilhas, que vão desde a cidades cheias de npcs a ilhas meio submersas cheio de lugares para se explorar, aí você encontra um espírito que é possível ser levado por seu navio, eles são diferenciáveis por uma sombra comprida e na forma de algum animal que aparece em cima deles. No navio o espírito te dará uma moeda que serve para adquirir habilidades em altares espalhados pelas ilhas, as habilidades são simples como: pulo duplo, flutuar, deslizar em tirolesas, etc. Essas habilidades desbloqueiam novas áreas nas ilhas e algumas não são nem exploradas até a obtenção de uma habilidade em específica, mas como são habilidades muito básicas fica sempre a sensação de “poderia ter isso desde o começo do jogo” apesar de entender que isso é para limitar seu progresso. Depois de pagar a estadia o espírito irá dar a Stella vários objetivos diferentes, abrangendo desde de ir a certas ilhas até construir coisas específicas, conforme se avança nas missões se desbloqueia duas coisas: certas construções de refinamento que só são desbloqueados nessas situações, por exemplo o tear, e eventos no mundo aberto onde as recompensas são matérias específicos.
Pegamos como exemplo Atul. Quando Atul embarcar em seu navio se torna possível capturar raios, mas para isso o navio tem que passar por uma tempestade e você tem que ter garrafas de vidro no inventário. No momento em que esses critérios são atendidos Atul pergunta para Stella se ela deseja capturar raios e então começa um mini-game de plataforma, cada construção no navio funciona como uma plataforma e os raios caem em pontos espelhados, você os pega e ganha um raio engarrafado.
Cada evento tem seus elementos próprios, seus cenários, suas próprias localizações gravadas no mapa e até suas próprias músicas. Destaque pessoal para a chuva de meteoros de Giovanni. Mas eu tenho alguns problemas. Apesar dos elementos únicos de cada um o cerne de todos é o mesmo e apesar de não desgostar, plataforma também não é o meu gênero favorito. Eu gostei bastante da parte plataforma de Spiritfarer, mais do que esperava para ser sincero, mas em determinados momentos esses eventos pareciam mais tarefas do que coisas divertidas. Na minha experiência alguns destes eventos demoraram muito para aparecer e no geral sempre pareceu que eu estava fazendo a mesma coisa com um “mas”. Vou inclusive usar essa deixa para falar a coisa que mais odiei nesse jogo. Em vários momentos eu precisava de um material para completar alguma coisa, seja uma missão, uma melhoria no navio para acessar uma parte diferente do oceano ou coisa semelhante e eu não fazia a menor ideia de onde ou como encontrar o que eu precisava e o jogo não te dá a menor dica do que fazer. E nem falo de me apontar no mapa o local exato, falo de uma simples descrição ou indicação. Ai ficava eu igual uma barata tonta viajando pelo oceano durante uns vinte ou trinta minutos até encontrar o que procurava ou desistir e procurar na internet. Enfim… Acho que agora é hora falar agora da melhor parte do jogo: os espíritos
Antes disso eu acho necessário dar um pouco de holofotes sobre a trilha sonora, que é impecável de cabo a rabo, e a arte visual do jogo que é linda, quente, fofa e me lembrou das animações do estúdio Ghibli principalmente o visual dos animais.
Existem quinze espíritos no jogo, alguns deles serão conhecidos ou até mesmo familiares de Stella e eles vão desde idosos que morreram em camas de hospitais, até crianças. É impressionante como cada um dos quinze são muito únicos, desde o artista que deseja fazer uma exposição até ao tio Atul que adora cozinhar e comer, e quando o jogo aborda as suas mortes, lembranças e saudades é de uma maneira bem leve, na maior parte do tempo. Cada etapa das missões serve para você descobrir mais do passado do personagem, apesar de falarem que temos que “realizar o último desejo” na maioria das vezes nós somos apenas um expectador enquanto o espírito está encarando fantasmas do seu passado ou simplesmente chegando à conclusão de que está tudo bem e está na hora de irem embora, no final de tudo tem uma última conversa e então a despedida. Como existem quinze personagens, alguns irão conversar com você mais do que outros, particularmente teve umas quatro despedidas que me fizeram chorar.
Spiritfarer é um jogo bastante divertido que faz bem quase tudo o que se propõe. O gerenciamento leve, a construção no formato de seu navio, as histórias principais e secundárias me entregaram uma experiência memorável e no final sinto que valeu a pena o tempo que coloquei nesse jogo. Mesmo se você não gostar muito de plataformas ou gerenciamentos pelo menos dê uma chance aos personagens e suas histórias.
~Lagarta




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