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Mesmo com problemas, é difícil não amar Haven

        Kay se apaixona por Yu à primeira vista. Yu se apaixona por Kay após pegar um resfriado e Kay passar uma semana inteira lhe fazendo companhia e cuidando dela. Porém, ambos sabem que o amor deles é impossível no lugar onde vivem, no "Apiário". Nesta sociedade uma máquina chamada de "O Combinador" seleciona e monta os casais e ninguém tem escolha nesse processo. Por isso, ambos decidem embarcar em uma nave e fugir para um planeta distante e esquecido chamado "Origem" e lá montar suas vidas juntos e aproveitar o amor que sentem um pelo outro.


Haven foi desenvolvido pela The Game Bakers, conhecida pelo desenvolvimento de Furi (esse lançado em 2016). Segundo o diretor criativo, Haven seria um encontro entre Journey e Persona. O objetivo era criar um jogo com o foco no relacionamento dos dois protagonistas por não se ter muitos jogos no mercado que abordam o tema com maturidade.
      Evidente que tera outros panos de fundo como: o confronto com o Apiário que eventualmente os encontra e o mistério envolvendo o estado do planeta Origem, que apresenta sinais de colonização, mas é ativamente um planeta em ruínas visto que sua crosta terreste flutua de maneira instável ao redor do núcleo o que faz atividades sísmicas se tornarem muito constantes e, na região onde se passa o jogo, formar um arquipélago de ilhas flutuantes. Mas o grande foco é a interação e desenvolvimento do relacionamento dos dois personagens principais e eles fazendo de tudo para permanecerem juntos. Detalhe, casal esse que tem o seu gênero personalizável. Você pode escolher entre uma casal hétero, um casal lésbico ou um casal gay. Isso não tem impacto nenhum no desenvolvimento da campanha ou na jogabilidade e é apenas uma diferença visual dos personagens. Sempre é legal ter essas opções.



Logo no começo, sua casa, que é uma nave chamada de Ninho, é danificada em um terremoto e surge o objetivo inicial do jogo: procurar peças na região para consertar o ninho. E aqui vem uma das coisa mais legais do jogo, as botas anti gravidade que os personagens usam para se locomover pelo mundo. Elas são rápidas, gostosas de manobrar, além de ser fácil realizar curvas bruscas e até mudar de direção indo para trás. Demora um pouco para pegar o jeito mas depois que pegar você vai se locomover a maior parte das áreas sem interromper sua corrida, o que dá uma satisfação...  Em trechos específicos tem como voar de maneira controlada e nessas partes, apesar de bem legais, eu já acho que não funciona muito bem. Lembrando que o jogo tem coop online e local.

A exploração é semi-aberta, terão áreas bastantes amplas onde pode-se coletar materiais e lutar com inimigos e quando acabar você vai para outra área. No jogo cada área é uma ilha, nela você pode encontrar frutas comestíveis e os vários animais diferentes que habitam a região. Eles a princípio são pacíficos, mas podem se infectar com "ferrugem", um material sólido avermelhado que está espalhado em praticamente todas as ilhas e deixa as criaturas agressivas. 

Ótimo momento para falar da mecânica de combate. Quando os personagens entram em contato com um inimigo funciona igual pokémon, todos são transportados para uma cenário onde só existe os personagens e os inimigos, mas o combate não é por turno. Cada analógico serve para dar comandos para um personagem específico e dependendo da direção eles podem realizar as seguintes ações: golpe físico, golpe de energia, defender, usar capsulas de combate e pacificar. Quando a vida do inimigo chegar a 0 ele desmaia você o pacifica para ele sair de combate, se demorar demais ele regenera uma porcentagem da vida e volta para batalha. Conforme o jogo avança o combate te cobra cada vez mais uma sincronia entre as ações dos personagens para enfraquecer e até possibilitar dano nos inimigos, a dificuldade, porém é bastante fraca, mesmo nas batalhas mais difíceis do jogo é muito difícil de morrer e com o auxílio das cápsulas fica mais difícil ainda. Os combates são satisfatórios e até o final do jogo tem uma variedade bacana de inimigos o que te deixa atento para as batalhas se seguir a historia principal de modo linear, mas se você explorar tudo e lutar com todos os inimigos que ver na sua frente as lutas se tornarão repetitivas e cansativas nas partes mais avançadas.



Mas é na parte da exploração onde eu acho que o jogo mais peca. O visual do jogo é muito bonito, um 3D meio cartunizado meio lowpolly com uma paleta de cores bem viva e leve, faz os ambientes, ao menos no início, visualmente interessantes. Eu perdi a conta de quantas vezes eu simplesmente parei para observar o ambiente e o céu, que independente da hora é uma beleza por si próprio, mas além de faltar variedade visual também falta o que se fazer nesses ambientes o que atrapalha a sua motivação para explorar as ilhas. Para não dizer que as áreas são todas iguais tem umas quatro ilhas que são um pântano e outras quatro que são algo semelhante à uma padaria com uma grama amarelada bonito até, mas em um jogo que deve ter cerca de vinte e tantas ilhas isso se torna muito pouco o que faz ser cansativo você chegar em uma ilha nova e ver o mesmo ambiente e a mesma paleta de cor. E o próprio loop de exploração dessas ilhas é repetitivo e igual durante o jogo inteiro, o que também cansa e dificulta o interesse na exploração. Pelo menos a trilha sonora pode te ajudar no processo, o jogo tem ao todo 19 músicas originais compostas pelo DJ Danger e fiquei surpreso com o quanto eu gostei das músicas, uma pena que durante a exploração as músicas começaram a repetir depois de poucas horas, mas ainda é muito legal ficar voando pelo mapa enquanto se ouve a música. A playlist inteira está disponível no spotify, se curtir depois da uma olhada lá.



E eu digo que a exploração é o maior pecado porque você tem basicamente uma única recompensa, tirando certas melhorias obrigatórias, que são interações e conversas entre os personagens, o seus próprios desenvolvimentos e o desenvolvimento de sua relação. E na minha opinião esse é de longe onde o jogo mais brilha. O ninho é a casa dos personagens e nele você acompanha o seu dia a dia e é tão legal e gratificante ver um relacionamento que em 95% do tempo é maduro e saudável. Seja quando eles fazem almoço, jogam cartas, fazem piadas sexuais, quando vão acampar, tomam banho, fermentam frutas para fazer bebida alcoólica ou simplesmente sentam no sofá para conversar, enfim esses momentos em que o jogador descobre mais sobre seus passados, suas motivações ou simplesmente quando Yu e Kay tem seus momentos juntos do casal se divertindo ou discutindo são muito incríveis e gratificantes e tornaram difícil não me importar com ambos e me apaixonar por esse jogo. E o problema é:  se não explorar o mapa, por seja qual for o motivo, muitos dos momentos mais legais do jogo se perdem e não serão visto pelo jogador. Uma coisa muita foda é que até mesmo durante as telas de carregamento se tem esses momentos. As telas de carregamento mostram artes de momentos íntimos dos personagens.






E também tem telas adaptadas para os casais de mesmo sexo.




No final, Haven é um jogo que me surpreendeu, me divertiu e me emocionou muito. Ele é um jogo indie feito por um time pequeno e sua duração mostra isso, é possível terminar o jogo em umas 5 horas e se você for atrás da platina cerca de 11 horas. Essa duração junto com um preço abaixo da média faz o jogo valer ainda mais a pena e sua disponibilidade em praticamente todas as plataformas ajuda ainda mais. Se a oportunidade aparecer de uma chance a Haven que você pode descobrir um jogo bem legal e se divertir.

~Lagarta


Obs: Duas recomendações pessoais. Primeira: o jogo possui uma galeria e todas as artes oficiais e conceituais estão lá. Se você curte esse tipo de coisa vale a pena perder uns minutos dando uma olhada, tem muita coisa interessante que acabou não indo para o jogo final. Segunda: a platina vale muito a pena. Não só é fácil como você vai ter mais cenas e interações dos personagens, a parte mais legal do jogo. Enfim, um abraço.


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