Sempre fui um apaixonado por leitura, especialmente quadrinhos, sendo os mangás minha verdadeira obsessão desde jovem. No entanto, por algum motivo (pretendo explorar isso mais tarde), sempre mantive um certo preconceito em relação aos comics americanos e quadrinhos europeus. Para mim, quadrinhos se resumiam a mangás. Recentemente, porém, decidi mudar essa perspectiva. Resolvi me dedicar mais à leitura de gibis de diversas origens, incluindo os comics americanos. E foi assim que me encantei pelas histórias do homem-morcego.
Em parceria com meu amigo Tênia, decidimos iniciar aqui, no mês de outubro, uma série de opiniões sobre histórias diretamente relacionadas ao Halloween ou ao terror em si. Escolhi começar essa brincadeira com "Batman – Dia das Bruxas" para celebrar o mês do terror e também para comemorar meu novo hobby.
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| DC Comics - A Lenda do Batman nº 47 |
A versão que li foi da extinta editora Eaglemoss, no volume 47 da Coleção – A Lenda do Batman, que compilava as três histórias criadas pela dupla Jeph Loeb e Tim Sale. Isso mesmo, a mesma famosa dupla responsável pela história icônica "O Longo Dia das Bruxas" (que também abordaremos aqui neste mês). Antes de criarem esse clássico do homem-morcego, eles nos presentearam com esses três contos que não se encaixam completamente na famosa cronologia da DC e podem ser lidos de maneira completamente independente das demais.
O primeiro conto, chamado "Medos", nos leva a acompanhar a saga do Batman perseguindo seu velho conhecido Jonathan Crane, o Espantalho, para impedir seus atos de terror durante o feriado de Dia das Bruxas. Batman o persegue por toda Gotham, com o objetivo de detê-lo antes que ele mergulhe a cidade nas trevas e seus asseclas aterrorizem os cidadãos. Paralelamente, acompanhamos o jovem Bruce Wayne se deixando envolver por uma bela jovem que captura a atenção do bilionário e amolece seu coração.
Nessa primeira história, já podemos observar a habilidade de Loeb e Sale em construir uma trama principal cercada de detalhes que a tornam ainda mais interessante e profunda. Mesmo com poucas páginas, você se sente imerso na situação. A arte de Sale é excepcional, sendo justificadamente aclamada no meio dos quadrinistas. A forma como ele trabalha os momentos de "terror" causados pelo Espantalho é, sem dúvida, incrível. Este foi o primeiro conto e também o meu favorito em comparação aos outros dois.
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| O Espatalho |
O próximo conto, intitulado "Loucura", nos leva a testemunhar um momento de fragilidade do homem-morcego em relação aos seus pais, devido à aparição do vilão Chapeleiro Louco. Este incidente leva o jovem Bruce Wayne a enfrentar novamente a perda de seus pais, uma experiência intensificada pela ligação com a famosa história de Lewis Carrol. Ao mesmo tempo, acompanhamos a família de James Gordon, que recentemente adotou a jovem Barbara Gordon e está enfrentando desafios ao lidar com essa situação envolvendo a adolescente. Mais uma vez, percebemos a habilidade de Loeb em entrelaçar duas tramas paralelas sem se tornar prolixo ou superficial.
Nesse pequeno conto, vemos como os personagens e seus traumas dão uma profundidade muito maior para o acontecimento em si e para o verdadeiro crime do Chapeleiro Louco. Ainda podemos notar o trabalho cuidadoso com todas as referências a Alice no País das Maravilhas, inclusive no final do conto. Um trabalho muito bem feito pela dupla.
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| Chapeleiro Louco |
E para encerrar o encadernado, temos o conto intitulado "Espíritos". Talvez o mais fraco dos três, não há muito a ser dito a respeito. É uma releitura da famosa história de Charles Dickens, "Um Conto de Natal", ambientado no Halloween e vivido por Bruce Wayne no lugar do velho Scrooge. A ideia de trabalhar os fantasmas que assombram o Batman sendo representados por seus vilões icônicos como Hera Venenosa e Coringa é interessante. No entanto, o que torna essa história mais fraca que as demais, acredito ser a falta de um impacto maior no final. É uma história tão curta e pouco aprofundada nos medos do Bruce que acaba deixando o final um pouco abrupto, talvez, como se faltasse algo. Mesmo assim, ainda é algo muito interessante de acompanhar.
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| Dispensa comentários, certo? |
No final das contas, o encadernado é muito interessante, trazendo ótimos pontos e dilemas enfrentados pelos personagens, em um roteiro coeso e dinâmico. Uma leitura extremamente divertida e rápida. Quanto à arte, dispensa comentários. Tim Sale é um gênio dos quadrinhos e não precisa de elogios. A originalidade que ele traz a esse universo do homem-morcego é algo fantástico. Acredito que ele esteja entre os meus artistas favoritos do Batman, junto de Norm Breyfogle e Todd McFarlane. Sem dúvida, vale a pena conhecer essas histórias.
~Wil




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