Não julgar um livro pela capa é um dos ditados que mais ouvimos e aprendemos a utilizar em nossas vidas. No entanto, infelizmente, julgar livros por suas capas é algo muito comum no meio literário. Eu mesmo faço isso constantemente, embora não me orgulhe disso. Ao julgá-los pela capa, às vezes perdemos excelentes histórias simplesmente devido ao trabalho ruim de uma editora. Esse trabalho ruim acaba afetando as vendas, que não correspondem ao esperado, e a série acaba sendo cancelada antes de sua conclusão. Foi isso que aconteceu com a série A Cidade das Sombras, de Daniel Polansky, lançada pela editora Geração Editorial.
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Capa brasileira de O Guardião |
Iniciada com o livro O Guardião (Low Town em inglês), essa série sofreu com capas ruins tanto aqui no Brasil quanto no país de origem. Olhar para a capa desse livro é se deparar com um trabalho bastante fraco, mas eu diria que é até melhor do que a versão original. No entanto, por trás desse trabalho mediano, esconde-se uma história que me surpreendeu de maneira intensa, a ponto de eu querer falar um pouco sobre ela aqui.
Capa americana de Low Town |
Confesso que quando comecei a ler esse livro, não tinha nenhuma expectativa. Ao descobrir na internet que se tratava de uma 'fantasia noir', uma leve curiosidade despertou em mim. Felizmente, decidi dar uma chance. Sinceramente, no início, senti uma certa dificuldade em me envolver na leitura. Acredito que seja necessário um tempo para se familiarizar com o cenário e compreender a abordagem do autor. Com a história sendo contada em primeira pessoa, acompanhamos constantemente os pensamentos do Guardião e somos expostos a toda a sua raiva e amargura, o que o impede de depositar muita confiança em uma única solução para os problemas.
Sempre fui entusiasta da literatura de fantasia e também dos thrillers policiais. Sou fã de Agatha Christie e Sir Arthur Conan Doyle. E o que encontrei neste livro foi uma boa combinação desses dois gêneros que tanto aprecio. É claro que a trama detetivesca não é tão intrincada quanto nos romances da rainha do crime, nem a fantasia é tão épica quanto O Senhor dos Anéis. Aqui acompanhamos um personagem humano, extremamente falho e que enfrenta inúmeros problemas para resolver a situação em questão. Mesmo sendo o melhor nesse assunto, ele se depara com situações e enredos que exigem muito mais do que inteligência para serem solucionados. A fantasia também é mais sutil, uma espécie de baixa fantasia, onde os elementos mágicos são raros e mais leves. É uma mistura que funcionou muito bem.
Capa francesa de Le Baiser du Rasoir (bem melhor, não é mesmo?) |
E o final do livro? O autor tenta nos surpreender com um plot twist, embora não estivesse tão oculto assim. À medida que nos aproximamos da metade do livro, começamos a traçar os caminhos para o desfecho, que o próprio protagonista ainda não consegue enxergar. Embora não seja uma reviravolta extremamente imprevisível, ela é satisfatória dentro do tom da história. Isso acaba mantendo a narrativa em um tom sinistro e obscuro.
Se vale a pena ler este livro? Agora isso vai depender de você. Se você está procurando uma história de suspense, com resolução de crimes em um mundo de fantasia, então encontrará um prato cheio! No entanto, você enfrentará um problema comum para os fãs de fantasia no Brasil. A série está incompleta, interrompida no segundo volume e sem previsão de continuação. Isso te levará a duas opções, caso queira prosseguir e conhecer essa história. Pode ler os dois volumes e ficar com a sensação de uma história incompleta, ou buscar o último volume no idioma original, o inglês. Essa é a minha intenção. Pretendo continuar a saga, lendo o segundo livro ainda em português, mas concluindo com a versão em inglês. Essa não será a primeira nem a última vez que terei que fazer isso, mas sinto que vale a pena perseguir essa história.
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