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Verdadeiro amor aos livros, O gato que amava livros de Sousuke Natsukawa

Se você chegou até aqui, você deve amar a leitura tanto quanto eu. Seja quadrinhos, livros, ou qualquer tipo de literatura, amamos ler. E como amantes da literatura, diversas vezes podemos nos deparar com alguns questionamentos que parecem bobos, mas que surgem. Afinal de contas, existem tantas histórias interessantes no mundo, que nossa vontade é de ler mais e mais a cada vez. E o que posso fazer para ler mais? O que devo fazer para aumentar essa quantidade de leitura consideravelmente? Aprender leitura dinâmica para consumir cada vez mais livros? Ler livros curtos e diretos, que não irão nos segurar por tanto tempo na mesma história? Jamais reler livros? São questionamentos que mesmo que momentâneos, as vezes passam por nossas mentes. Todos esses questionamentos são abordados na história de O gato que amava livros, de Sousuke Natsukawa.

O gato que amava livros, Sosuke Natsukawa. Editora: Outro Planeta

    Aqui nos encontramos com Rintaro Natsuki, um jovem hikikomori, neto de um dono de um antigo sebo da cidade, muito completo e com títulos raros. Rintaro é orfão e morava com seu avô. Aprendeu a amar os livros com ele, mas deixou que esse seu amor servisse de refúgio para os seus demais problemas, preferindo assim se esconder entre as prateleiras da livraria à lidar com a escola, por exemplo. Porém, Rintaro é obrigado a enfrentar a dura realidade da morte de seu avô, tornando-se assim, o novo proprietário da Livraria Natsuki. O jovem então, sente a necessidade de fechar o estabelecimento e ir morar com uma tia distante, que cuidaria do mesmo. Porém, antes de fechá-la, o jovem recebe uma visita inesperada. Tigre, o gato malhado, entra na livraria e começa a conversar com o jovem, solicitando a sua ajuda para libertar alguns livros que estão sendo mantidos presos. Após passado toda a confusão de ter um animal falando com ele, Rintaro segue Tigre por entre os corredores cheios de livros, e adentra o labirinto com o intuito de libertar seus amados companheiros. 

    É difícil falar dos sentimentos abordados nesse livro, sem soltar alguns spoilers sobre o que o jovem enfrenta em suas viagens, pois cada um dos labirintos aborda um tema diferente daqueles que citei no começo. Encontramos uma discussão sobre quantidade de livros que lemos, e que importância isso tem na nossa vida. Sera que só a quantidade importa? Estamos lendo porque gostamos, ou porque queremos fazer números e inflar nosso ego, sendo conhecidos pelo número de livros que lemos? Posteriormente nos deparamos com a discussão a respeito da velocidade de leitura. Será que lermos mais rápido, sem dar a atenção necessária que cada história nos pede, é o suficiente para aproveitarmos realmente o livro? Queremos ler essa quantidade gigantesca com qual intuito? Isso é realmente interessante de se questionar.

    Temos ainda a discussão a respeito da publicação dos livros. Como as pessoas que na maioria das vezes estão à frente das grandes editoras, não são pessoas que amam os livros. Elas não se importam com a qualidade do que está sendo publicado, nem mesmo com a mensagem que sua marca está deixando no mercado. Estão apenas preocupados em fazer as cifras aumentarem. Sabemos que o dinheiro é indispensável nesse meio, claro, afinal somos seres humanos e temos necessidades materiais. Mas o dinheiro é tudo?

    Em cada um dos labirintos que o garoto precisa entrar, ele vai se deparando com esses questionamentos, essas dúvidas começam a estabelecer seus pensamentos e parâmetros para salvar os livros presos, ajudando também essas pessoas que se encontram reféns do egoísmo, orgulho e vaidade, reencontrando o seu amor verdadeiro aos livros.

    E no final, materializado como um ultimo labirinto, o garoto tem de enfrentar seus próprios problemas internos e pessoais, e entender como será a sua vida daqui para frente. Aprender a lidar com as situações adversas que a vida apresentará à ele, reconhecendo a força necessária para batalhar contra nossos próprios sentimentos e com demônios internos que carregamos. E ainda mais perceber que, por mais que pareça, nunca estamos sozinhos.

    O gato que amava livros foi uma surpresa extremamente agradável que tive. Esbarrei por acidente nessa história e terminei encontrando um livro extremamente divertido. De uma maneira simples, direta, e com um realismo magico encantador, ele nos trás uma lição fantástica. Em poucas páginas, podemos nos reconectar com esse sentimento de amor aos livros que sem querer, acabamos esquecendo.  

 Se você ama livros, por favor procure encontrar Tigre, o gato malhado, e o ajude a salvar os livros também. Eles precisam de você.


~Wil


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