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Os traumas que nos representam, Homunculus do Yamamoto Hideo

Bem-vindos mais uma vez a livraria. Se acomodem em algum canto que hoje a obra escolhida da estante, percorre umas estradas bem diferentes. Das prateleiras mais altas, onde nenhuma criança deve alcançar, lhes apresento Homunculus do gigante Yamamoto Hideo.



Publicado originalmente pelos meados de 2003 no Japão, e em 2008 no Brasil pela Panini, a historia de Homunculus acompanha Susumo Nakoshi. Um homem que mora em seu velho carro, estacionado entre um grande hotel e um parque, onde vivem vários moradores de rua. Mas sua vida muda quando ele conhece Manabu Ito, um estudante de medicina que oferece dinheiro para Nakoshi participar de um experimento. A trepanação, uma cirurgia que consiste na abertura de um furo no crânio do paciente, realizada com o objetivo de estudar sobre os dons paranormais que tal operação pode dar ao paciente. É após essa cirurgia que Nakoshi começa a ver os chamados Homunculus, pessoas com formas estranhas, distorcidas e completamente fantasiosas.




Homunculus não é uma obra fácil de falar, porque o menor spoiler pode acabar estragando a sua jornada pessoal com a história, e isso é importante. Além da abordagem de um experimento, ela acaba sendo também ligado à sua própria experiencia lendo-a. Nela, encontramos diferentes traumas de personagens, como acontecimentos ditaram e ditam suas vidas até mesmo depois de anos, e em como o próprio Nakoshi tendo contato com esses diferentes problemas, consegue lidar com os próprios. Como ele conecta esses traumas aos deles, mostrando como um amontoado de coisas pode levar alguém a loucura ou a iluminação espiritual, mas claro, a que preço?





Falar de Homunculus e não falar da arte do Hideo é um pecado. Os desenhos são uma loucura de lindos, e a meu ver, por ser uma arte mais realista, isso acaba fornecendo todo o peso necessário para a obra com a intensidade que o autor deseja.

Não acho que seja uma obra que todos vão gostar, mas recomendo demais a leitura, ainda mais se você quer sair da zona de conforto.



Ass: Tênia

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