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Os "e se" que nos prendem, Haruka na Machi e de Jiro Taniguchi

Vamos abrindo as portas da livraria, então, peço a todes que encontrem um lugar confortável e bem relaxado pra a indicação de hoje. Vamos falar sobre, Um bairro distante (Haruka na Machi e) do mestre Jiro Taniguchi.

Antes de entrarmos na historia, vou comentar sobre a edição bem rapidamente. A edição brasileira pertence à editora Pipoca e Nanquim, e tem um cuidado primoroso em seus acabamentos. Não pretendo me estender muito falando sobre a qualidade da mesma, pois no final isso não me importa muito. Poderia muito bem ser uma edição mais simples e consequentemente mais barata, e seria de igualmente valor para a chegada da obra até nós leitores, mas isso é apenas minha opinião.

Agora sobre a história, iremos em partes porque será complicado... 

No começo da história, acompanhamos Hiroshi Nakahara com os seus alguns anos (que não nos é especificado, mas ele aparenta ter meia idade), que estava voltando de um trabalho, e acaba tomando o trem errado. Isso o leva de volta até sua cidade natal, onde ele passa por uma experiência similar à viagem no tempo, onde ele volta a viver seus dias de adolescente, com a mente de um adulto. Viagem no tempo essa, mais precisamente antes de seu pai abandonar a casa e a família.  Aquele bom e velho exemplo de   "vou compra cigarro e já volto"... Consequentemente vemos ele pensando sobre a própria vida e como ele poderia fazer escolhas diferente, visto que ele viveu isso em sua vida adulta, e diante dele apresentava-se uma oportunidade de fazer tudo de uma maneira melhor e mais correta. E quem sabe impedir o pai de ir embora? 

A história do manga em si é muito boa. Toda as discussões que ele tem consigo mesmo, sobre tirar tempo para as coisas do cotidiano, respirar, aproveitar o presente, e até mesmo toda a conversa que ele tem com o pai antes dele ir embora. Dele explicando que sempre teve sonhos e que sempre quis segui-los, é onde essa obra brilha. Quando terminei essa parte eu estava pensando em como eu lidava com o meu próprio cotidiano, e como eu vivia pensando em como tudo poderia ser diferente se eu tivesse feito outras escolhas. Nos mostrar um personagem que deixa tudo de lado... tudo que nos parece o mais importante, como a própria família, pra viver um "e se", correr atrás de um sonho antigo, fazendo nos perder as pequenas coisas... Sério toda essa parte é muito boa mesmo! Mas, ai temos o final da obra...

Adendo importante, essa não é a primeira obra que li do Jiro Taniguchi, e nas outras obras assim como nessa, uma coisa me incomoda muito é que sempre ao chegar perto do final das obras (pelo menos de todas as 5 que li), o autor parece que se cansa do que está escrevendo, e acaba tudo de uma maneira muito abrupta e desleixada. Nos deixa aquela sensação de algo inacabado, sabe?  Isso é algo muito presente em Um Bairro Distante. O final nos deixa com esse sabor amargo de algo que foi terminado as pressas, que eu detestei totalmente. Ainda assim, acredito que pela viagem traçada na obra, vale sim a leitura. 


Ass: Tênia

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